domingo, 23 de novembro de 2008

Fantasia ou Realidade

Algum modo para explicar o poder dos sentimentos. Dessa vez, a procura se resume a isso.
Encontrar em uma pessoa todos os motivos para lutar por sua companhia e, em outra, todas as certezas sobre como o destino está ligado à nossa vida pode confundir aqueles que não procurarem analisar mais a fundo quais são os sinais enviados pelos seus corpos para que a melhor decisão seja tomada. Unir coração e razão em um momento desses é preciso.
Ele possui em sua vida duas pessoas que o fazem passar horas e horas imaginando o que é o certo, o que é o melhor a se fazer. Uma delas, aqui representada pela letra T, possui milhares de mistérios que o fascinam. Há alguns anos em sua vida, ela o mostra a cada dia que possui características idênticas às dele, fazendo-o acreditar na lenda criada acerca da tal alma gêmea que todos supostamente possuem. Cabelos negros, olhos verdes, pele clara e um jeito todo especial de mostrar a que veio. Consegue viajar com ele quando o mesmo decola em pensamentos transcritos pelas mensagens que a envia desde o começo da amizade, embarcando em sua rotineira e entusiasmante viagem de fantasias. Gostos parecidos, interesses e objetivos que se encontram em perfeira harmonia. Dizer que T é a mulher ideal para ele pode ser óbvio.
Mas é aí que se encontra a magia disso. Ele a viu, pela primeira vez, ontem, em uma reunião de amigos. Vários anos de amizade materializada em mensagens transcritas e apenas um encontro real. Ele a conhece como poucos. Ela o mostra que também faz o mesmo. Tem nela a imagem de tudo que montou em sua mente, com o auxílio de fotos e palavras. T o mostra que tudo que havia sido mostrado é real.
Por outro lado, existe alguém que, em alguns dias, conseguiu conquistar o seu carinho de uma forma impressionante. Com um carisma fascinante, um rosto encantandor e uma naturalidade em suas atitudes que muito considerariam difíceis de se ter, J o fez, pela primeira vez em sua vida, sentir o que é receber carinho de uma pessoa que o deseja e que sabe demonstrar isso.
J tem toda a espontaneidade e toda a alegria que o fascinam desde cedo, quando observa as diversas personalidades encontradas em todas as suas idas e vindas pelo mundo afora.
Ele a beijou pela primeira vez dias antes do encontro com T. Em um momento de pura descontração, ele roubou um beijo quando ela ameaçava abraçá-lo. J não pensou duas vezes, e, com um olhar fixo, exigiu que ele desse continuidade a tudo aquilo.
Voltou pra casa dando suspiros, e meio sem entender o que aquela garota havia feito com ele.
O destino trata de colocar as duas mulheres que conseguiram fazer o que nenhuma outra jamais fez frente a frente. Na tal reunião citada no trecho anterior, T e J mostram que são, sem exagero algum, quase uma pessoa só. Primas das mais íntimas, as duas demonstram a ele que confiança uma na outra é algo que possuem de sobra. Ele se lembra que descobriu o tal parentesco há pouco tempo, e isso o deixou ainda mais impressionado com a capacidade do destino em nos pregar peças.
Ele observa T de uma maneira única. Tratava-se da primeira vez que a via, depois de tê-la conhecido tão bem com o uso das palavras. Ela retribui os olhares, demonstrando-se espantada com algo. Algo bom, vale lembrar, mas ele não sabe o quê, apenas que se trata de algo que a deixa com um sorriso maravilhoso durante todo o tempo.
J demonstra que deseja que tudo que ocorreu dias antes continue, pois, em um determinado momento, ela diz:


"Eu amo ficar do seu lado, te ouvir, te abraçar. Me sinto uma pessoa de sorte por tê-lo como refúgio, mesmo conhecendo-o há tão pouco tempo"


Ele não resiste e a beija, tratando-a, como sempre, como a única pessoa que o interessa naquele momento, pois como ele gosta de dizer, o carinho que sente é constituído de partes. No momento em que se encontra na companhia de alguém, ele trata tal pessoa como se a amasse realmente, fazendo-a notar isso, mas deixando claro que se trata de sua personalidade, e não de seus reais sentimentos. J sabe disso, mas aceita se arriscar e lutar pelo seu carinho.
Mas há, no mesmo local, duas pessoas, duas personalidades, duas mulheres. T é uma descoberta. É algo que o fascina, que admira. Tão igual a ele, tão ideal, tão recente (ao menos se dermos ênfase ao momento em que se encontram realmente). Um enigma que faz parte de toda a sua personalidade, pois trata-se de um rapaz considerado enigma por muitos.
A partir de agora, ele precisa decidir se quer conservar algo real, conquistado com a ajuda de sua impulsividade e que possui um valor extremo, ou acreditar que algo criado por suas emoções, por sua mente, por seus desejos, pode se tornar real. J ou T ? Adentrar à realidade ou transformar a fantasia em algo que se encaixe como tal?
A reação das duas quanto a esse encontro poderá ser fundamental para uma decisão, e ele aguarda ambas com toda a certeza de que mesmo não sabendo se é o certo a se fazer, deixará com que seus sentimentos falem por ele, fazendo-o obter algo que nunca possuiu durante toda a sua vida: o carinho de alguém que o oferece um sentimento real, onde ele, apesar da dificuldade que possui, também consiga demonstrar o que sente.


Narração feita por Carter a respeito de um dos momentos de maior importância que presenciou nas últimas semanas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um só coração...

Trabalho em equipe. Carter sempre ouviu falar e sempre admirou esse termo. Dizem que o efeito causado por essa prática se resume em benefícios soberbos quando se está atrás de algum objetivo, quando vencer uma batalha é um ideal que se estende por toda uma vida. É fato que o ser humano precisa aprender a se relacionar com seu grupo. O trabalho em equipe vai além disso. É preciso, além de se relacionar bem, possuir as mesmas aspirações, enxergar os mesmos caminhos, possuir os mesmos sonhos e agir sincronizadamente, ou seja, todos em um só ritmo, em um só movimento. Na teoria parece simples.
Carter tem um exemplo que exemplifica bem essa idéia. Há alguns dias, ele executou um trabalho que havia planejado durante alguns meses, juntamente com toda a sua turma de faculdade. Tratava-se de um evento beneficente, onde o principal objetivo era proporcionar a dois casais a oportunidade de viver um momento único em suas vidas (ao menos, Carter torce para que seja o único): o casamento. Mas não é uma tarefa fácil organizar um casamento soberbo sem nenhum dinheiro no bolso. O sonho de unir aquelas pessoas começou a ser montado bem antes do dia "D". Carter se lembra dos primeiros passos que deram em busca desse objetivo. Nada andava. Nada se concretizava. O desesperou chegou a tomar conta da mente de alguns. Não era pra tanto. Ou será que era?
Faltando apenas um mês, a turma resolveu praticar uma das artes pregadas pelo profissionalismo contemporâneo: o trabalho em equipe, citado no começo do texto.
Todas as vitórias eram comunicadas aos que estavam dando o sangue pelo projeto. À medida em patrocínios eram obtidos, festas eram feitas quando tal notícia era compartilhada. A emoção resultante dessa vibração se tornava combustível para outros, que lutavam, colocavam a cara à tapa e, com todo o mérito possível, conseguiam mais e mais vitórias.
O prazo para a realização desse sonho se estreitava a cada segundo. Mas tudo que sua equipe havia conseguido até ali mostrava que aquele trabalho possuía uma tendência ao sucesso. Empresas de nome estavam envolvidas e anciosas pelo resultado. A animação por estarem experimentando aquele clima de negócios fazia com que todos de sua equipe buscassem sempre algo mais. Esse algo mais pode ser resumido nas duas suítes que conseguiram para a lua-de-mel dos noivos, agrado que não estava nos planos iniciais do projeto. Fantástico.
Ver pessoas que Carter mal sabia que possuíam tanto potencial trabalhando, se esforçando em prol de apenas um objetivo fez com que ele analisasse ainda mais o ambiente que frequenta a quase dois anos. Através de suas palavras, ele diz: "Se um dia eu for dono de uma empresa, com certeza já tenho toda a equipe que eu preciso aqui". Para um cara tão detalhista como ele, isso é um bom sinal.
O trabalho aumenta quando chegam os dias que apenas fazem margem ao acontecimento mais importante do ano para aquela turma. Mesmo que não seja algo que os dê dinheiro, o árduo trabalho, as noites mau dormidas, o frio na barriga, as brigas, as vitórias, tudo isso fazia com que eles soubessem que estavam envolvidos na história os sonhos de 4 pessoas. Pessoas que rezavam todos os dias por toda aquela equipe, torcendo para que eles obtivessem êxito, pois um momento como aquele, como já dito anteriormente, seria único.
Como não poderia deixar de ser, a equipe de Carter consegue concluir todo o trabalho designado à mesma. Sua turma sente a vibração positiva que teima em abençoar aquela iniciativa.
O dia chega. Logo cedo, Carter parte para o local escolhido com toda a animação, com todos os materiais necessários (e acreditem, eram muitos), e com toda a certeza de que dali sairía algo inesquecível. Sua turma comparece em massa, e todos, na mais perfeita demonstração de trabalho em equipe, suam a camisa em busca do melhor ambiente possível para todos os convidados e, principalmente, para os noivos. A tarde foi marcada pela correria em busca dos últimos pedidos feitos por alguns que acabavam comprovando a teoria de que o homem não pode confiar apenas em sua memória. Haja gasolina.
Carter respira fundo para, logo depois, soltar um suspiro de alívio. O cenário estava montado. Sem ter tempo para repetir tal atitude, ele corre para se arrumar, afinal, é preciso vestir a imagem que um dia sonha em possuir todos os dias. Camisa azul, um nó simples (ainda está aprendendo o tal "Conde Windsor") e seu querido, mas já manjado, paletó azul-marinho com uma calça, claro, da mesma cor. Essa é a "armadura" que Carter usou para a batalha.
O fantástico coral que desviava a atenção do público enquanto o mesmo aguardava pelos noivos fez com que Carter sentisse arrepios, reação causada na maioria dos ali presentes. Trompetes anunciam o início de tudo. A tradicional melodia assiste à entrada de todo o cortejo para, logo depois, abraçar os protagonistas da noite.
Os casais entram com os olhos emaranhados de emoção. Uma das noivas chegou a exitar, ao subir as escadas, mas o amor que sentia fez com que ela seguisse em passos firmes rumo ao altar. Fotos tiradas daqui, dali, imagens gravadas com toda a precisão. Com certeza, o registro desse momento terá qualidade. Qualidade essa que é fruto das escolhas feitas por toda a equipe de Carter, pois trabalhar com pessoas sérias é essencial para aqueles que querem arrancar elogios após todo o esforço feito.
Os beijos selam o que Carter denominou como sendo "algo mais forte que a vida". A imagem que os dois casais buscavam para representar todo o amor que sentiam foi oferecida a eles, primeiramente, por algo maior que todos nós, e que alguns dizem ser Deus. Se assim for, Deus estava do lado deles e, através da turma de Carter, concedeu um dos melhores dias de suas vidas.
Pagamento? Digamos que o sorriso estampado no rosto de cada um dos que ali se encontravam pagou toda a conta.
Trabalho em equipe. Algo que não pode ser ensinado. Algo que não possui teoria como base. É preciso vivê-lo, praticá-lo. Lendo essas palavras, porém, Carter imagina que é possível sim trazer a importância disso para a vida de seus leitores.
Mas lembrar de tudo que passou naquele dia faz nosso protagonista se sentir exausto e, como todo bom trabalho de equipe que se preze, o momento de comemoração e de descanso também requer a presença de todos os seus amigos, afinal, amizade nada mais é do que um esforço conjunto em busca do bem-estar comum.


Carter deseja a todos um ótimo restinho de semana.

sábado, 11 de outubro de 2008

Uma Análise Minuciosa

Ao longo dos quase trinta dias que passou longe do seu refúgio, Carter conquistou várias coisas importantes para o atual momento de sua vida. A faculdade agora o conhece de verdade. Conseguiu, através de um projeto idealizado por ele mesmo, chamar a atenção de todos que fazem parte de seu curso e, consequentemente, chamar a atenção de pessoas rotuladas como importantes pela instituição. Seu objetivo é unir todo o grupo de alunos que integram o curso que faz, pois trata-se de uma novidade no mercado e, sendo assim, necessita de densidade, para que todos vejam a tal iniciativa como sendo firme e promissora. Seu projeto visa exatamente isso: dar importância ao curso.
Ontem ele ministrou a primeira palestra de sua vida. O tema era exatamente esse projeto. Sala lotada, participantes prestando muita atenção e agora, aos poucos, ele está colhendo os frutos.
Outro projeto importante que está em andamento e que conta com sua colaboração, é um casamento comunitário que está sendo organizado por sua turma. A idéia é fazer com que dois casais carentes, que não possuem a mínima condição de organizar um evento desse tipo, sejam abençoados pelos laços do matrimônio, com tudo que têm direito. Mas eles possuem o principal para sonhar com algo assim: amor.
Sendo assim, toda a turma de Carter está dando o sangue em busca de parceiros e interessados em apoiar de alguma forma essa idéia.
Ontem, pode-se dizer que nosso protagonista teve um dos melhores dias de sua vida. Ao encontrar pela primeira vez as noivas escolhidas para estrelarem o projeto, ele as apresentou à empresa que ficará responsável por montar o álbum de fotos do casamento. Os olhos delas brilhavam enquanto cada página dos ábuns de demonstração era vista como se fossem elas, ali, maquiadas, vestidas com uma roupa que marca um dos momentos mais especiais da vida de uma mulher. Mas não, eram apenas fotos de outras pessoas, mas que pareciam convidá-las a embarcar naquele sonho, naquele momento. É gratificante. Carter sentiu isso. Ver que seu trabalho está dando certo é bom. Mas ver que alguém está sorrindo, mesmo diante de tantas dificuldades que a vida impõe, é melhor ainda. E estão sorrindo por sua causa. Carter tem culpa nessa história.
Os próximos dias serão cruciais para o sucesso dessa idéia. A cada momento, Carter sente que algo de especial vai acontecer no mês de novembro. Isso é bom.
Vickie saiu de sua vida, seus amigos estão tomando diferentes rumos. A vida realmente preparou algumas surpresas para Carter, mas ele não se queixa, pois Vickie e ele apenas perceberam que não tinham nada a ver um com o outro. Seus amigos estão, ao se distanciar, montando suas vidas, assim como Carter.
O mundo está à espera dele. Ele está à espera do mundo. Como sempre diz: "O mundo é tão grande para nos contentarmos em conhecer apenas um país". Esse é o lema de sua vida.
A base está sendo construída agora, e compartilhar esse processo com todos que lêem seu espaço é uma honra. Carter tem toda essa certeza.
Ao som de Macy's Day Parade, do Green Day, ele se despede, tendo a certeza de que, apesar dos dias de ausência, seus textos estão imortalizados, pois possuem palavras que relaxam, que animam, que surpreendem, que marcam seu ser. Motivo? Elas são palavras sinceras.
Como tudo seria se todos soubessem do poder das tais palavras? - Carter se pergunta.
A resposta vem quase que imediatamente:
Elas seriam comuns...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Máscaras de Gelo

Carter já não encontra a mesma facilidade para postar seus textos. Em meio à loucura vivida por sua personificação perante à vida, ele tenta ao máximo não deixar seu espaço de descanso morrer. Enquanto dita essas palavras, Carter se lembra dos últimos dias em que esteve sem compartilhar suas experiências, sem soltar um suspiro de alívio por saber que alguém pode, mesmo que ainda raramente, concordar com seu ponto de vista, ou até mesmo discordar, pois as tais críticas são necessárias por dar uma noção contrária àquela que ele está acostumado a possuir, auxiliando no crescimento do seu ser. 
Há 2 dias atrás, Carter teve uma conversa que não o deixou muito feliz. Abençoado por possuir um certo, e pequeno, grupo de amigos em que ele sabe que pode confiar, Carter há algum tempo se sente incomodado com uma certa atitude de um dos membros da família. Aqui, conhecido como Tommy. 
Tommy é uma pessoa espetacular em toda a sua gama de características. Companheiro, extrovertido, impolgante. Um amigo e tanto. As reuniões com toda a família se mostram prazerosíssimas quando ele está presente.
A vida dada a ele não é das piores. Seu pai, um sujeito sistemático e muito fechado se mostra um ótimo exemplo. Conseguiu todas as coisas que tem hoje com muito suor e dedicação. O que se mostra verdade na mais recente conquista de seu filho: um carro comprado com o seu próprio dinheiro. Tommy lutou muito por isso, e com certeza isso se deve à criação dada pelo pai. 
Sua namorada, Marie, é uma pessoa excepcional. Com um coração grandioso, ela faz questão de estar perto de todas as pessoas que o fazem feliz. Os dois namoram há um bom tempo. Mais precisamente há 3 anos. Carter fica estasiado quando encontra detalhes da importância de Tommy na vida dessa garota. Ao entrar na cozinha da casa de seu amigo, ele percebe um recado grudado na porta da geladeira. Nele, encontramos escrito: 

"Amor, que todos os dias você leia esse meu recado e acorde com um sorriso no rosto. E que esse mesmo dia seja repletos de motivos que o façam sorrir, como o que vou citar abaixo:

Eu te amo. Marie."

Carter simplesmente fica fascinado ao ver isso. Uma relação duradoura é composta por detalhes. São eles que fazem a diferença. Tommy não vive sem sua garota. Marie não vive sem seu companheiro. É fato.

Mas aí entra a outra face da verdade. 

Resumida na palavra "infidelidade", essa parte do namoro é composta por um jogo de mentiras que testam a capacidade de Carter ao máximo. Tommy, há algum tempo, não precisa buscar em outros corpos o desejo, o carinho, que todo ser humano busca quase que insaciavelmente. Ele, há 3 anos, os possui todos os dias. Marie  oferece a ele esse paraíso.
Mas ele o faz. Carter presenciou isso milhares de vezes. Fotos, vídeos, depoimentos. Os meios de se descobrir isso são variadíssimos. 
A punhalada é tão intensa, que em uma frase, Tommy mostrou para Carter que não dá o devido valor à sua garota, dizendo:

"Se ela quisesse me trair com a mesma intensidade, teria que fazer isso demais, pois eu mesmo já perdi as contas de quantas peguei até hoje, durante nosso namoro".

É época? Pode ser. Mas é de cedo que mostramos nosso caráter. Carter já disse várias vezes a Tommy que fica meio incomodado com tantas traições, até mesmo por conhecer Marie bem, e saber que ela não merece isso. Mas o amor é estranho. Se Tommy se separa de Marie, os dois são capazes de se matar. Quando estão juntos, é o namoro mais concreto que já se viu. Quando ele está longe dela, é o namoro mais frágil que já existiu.
Difícil entender. Muitos morrem sozinhos, sem ter conhecido e presenciado aquela tal lenda urbana de que "cada um possui sua alma gêmea", e existem pessoas que aparentam uma relação repleta de confiança, mas que, se conhecermos a mesma a fundo, perceberemos podres que mal podem ser comentados. 
A história é tão pejorativa que Tommy, visando se safar de uma tropeçada que deu ao não planejar bem o momento da traição, já foi capaz de destruir a imagem de uma outra pessoa que havia se metido em seu namoro. Carter confessa que essa tal pessoa não havia sido muito feliz em sua atitude, mas não existem motivos para Tommy ter feito o que fez. Hoje, a família de sua namorada é dividida entre os que apóiam o namoro e os que desconfiam do mesmo.
Mas culpar Tommy é afirmar que possuímos teto de vidro. A traição não se dá apenas através do ato carnal. A traição não acontece apenas em um namoro. A traição acontece em vários momentos de nossa vida. Momentos em que nos pegamos omitindo alguma informação sobre onde se encontra um amigo, quando sua namorada nos liga preocupada com o seu amor. A traição acontece quando, em uma noite de bebedeira, de farra, chegamos em casa irritados, fazendo com que as pessoas que se importam conosco se preocupem e venham nos perguntar se estamos bem, e nós, com uma estupidez embriagada, respondemos "Me deixa em paz", batendo a porta do quarto logo em seguida. A traição acontece quando fingimos ser quem não somos. A traição faz parte do ser humano. 
Carter está traindo a amizade de Tommy ao expor sua opinião aqui. Mas entre o amor e a desconfiança, Carter não possui dúvidas ao fazer sua escolha. 
O fato é que, quando encontramos aquela pessoa que nos faz querer sonhar, acordar e voltar a dormir todos os dias com um sorriso nos lábios, o amor deve ser preservado. E Tommy não o faz.
Suas atitudes estão sendo discutidas por várias bocas, questionadas por várias personalidades e, logo logo, se confrontarão com a principal delas: a personalidade que ele conhece há 3 anos e que o ama como ninguém nesse mundo o faz.
Carter espera que, na pior das hipóteses, Tommy reflita com tudo isso e aprenda que o amor não é um sentimento que funciona apenas quando está em contato direto com a tal pessoa que faz seu coração duvidar da não-existência do paraíso.



E ele deseja uma ótima semana a todos.

sábado, 6 de setembro de 2008

Movimentos Involuntários

O relógio marca quase meia-noite. As nuves escondem a face brilhante e aterrorizante da lua. A conversa entre as duas garotas é quase um ato prazeroso e obrigatório. Enquanto contam seus segredos, o vento bate nas janelas que o arremessam de volta ao clima sombrio encontrado do lado de fora. Thalitta, mais conhecida como Tita, tenta convencer sua amiga, oferecendo-a uma oportunidade de cometer uma loucura, como nunca fez em toda sua vida. A piscina é o alvo. O relógio quase as convence de que não é uma boa opção. Mas para os loucos, a boa opção nunca é a melhor.
Seus passos ecoam pelos corredores do hotel. O sono dos hóspedes ecoa mais forte, fazendo com que eles nem sintam que ali se encontram duas garotas prestes a conhecer o significado da palavra medo.
O roupão é lançado em direção às cadeiras encontradas ao redor da piscina. As duas mergulham como se acreditassem que, submersas, encontrariam o motivo de terem sentido aquela vontade de fazer algo diferente, algo fora do padrão. Não que nadar de madrugada seja tão fora do padrão assim, mas convenhamos que, em uma noite de frio, não é o melhor a se fazer.
Elas sabem disso. O frio bate na pele como se quisesse entrar dentro do nosso corpo. Os arrepios são constantes. As mãos de Tita se esfregam, uma na outra, tentando criar atrito o bastante para esquentar todo seu corpo. Ela percebe que seus dentes se batem, ela tenta dizer isso à sua amiga, porém, só consegue dizer que está "muito friiiio".
Resolvem voltar para seus respectivos quartos. Sorrindo, elas pegam o elevador sozinhas, ou em grupo, em meio à multidão de emoções que teima em fazê-las sorrirem, mas sempre avisando-as que algo está por vir.
O corredor de destino se encontra vazio. Em passos curtos elas vão olhando, número por número, a referência de cada quarto dali. Chegando ao quarto de número 805, elas percebem que a aventura estava muito perto de chegar ao fim.
Leigo engano. Tita envolve a maçaneta com sua mão, faz um movimento para a direita, mas não obtém resposta. Engraçado. Sua mãe havia dito que deixaria a porta aberta. A dúvida toma conta de sua mente por alguns segundos. A partir daí, o clima encontrado em meio às nuvens mostra sua verdadeira face. Tita bate na porta, toca a campainha e ninguém responde. Incessantemente, ela repete o movimento que resulta em um sonoro aviso de que alguém está ali. Mais algumas vezes, nada acontece.
Com frio, medo e dúvidas, as duas garotas entram em desespero, pois não há ninguém para ajudá-las, e o risco de se pedir ajuda a alguém que não conhecem é muito grande. Muitos diriam para pedir ajuda à recepção do Hotel, mas elas não conseguem se mexer de tanto medo. Motivo? Logo após as tentativas frustradas de tentar chamar atenção através da campainha, elas ouvem um grito que ecoa por todo o hotel. Um grito estarrecedor. Um grito paralisante.
O medo escala a espinha de cada uma delas. O abraço é inevitável. Pela primeira vez, elas se abraçam por um motivo diferente do habitual afeto que têm, uma pela outra.
A bateria do celular não responde. Suas pernas fazem o mesmo. O escuro toma conta do corredor.
Tita se lembra que seu vizinho havia conversado com sua mãe há alguns dias. Ela resolve tentar bater em sua porta, quase que sonhando com o momento em que ele a ofereceria seu telefone para que ela pudesse pedir ajuda à sua mãe.
Mas antes de encostar na campainha, ela percebe que o número 806 não estava mais ali. Mas ela havia visto o mesmo dias antes. Porque haveria de sumir assim?
Segundos depois de se perguntar isso, Tita olha para sua amiga de uma forma, digamos, "decepcionante". Sua amiga não entende, pois ainda se encontrava em estado de choque. Aquele grito poderia ser um assassinato! Ou pior, algum tipo de tortura poderia estar acontecendo ali, naquele momento. Tita pede para que ela se acalme e olha para o relógio. Os ponteiros a dizem que é hora de contar a verdade.
Com claras palavras, ela diz: "Estamos no bloco errado."
As risadas são frutos dessa frase.
Com passos lentos e olhares perdidos, elas se dirigem ao outro bloco, vizinho deste que havia proporcionado tantas aventuras em tão pouco tempo a essas duas garotas.
Tita abre a porta de seu quarto e corre em direção ao lado direito da cama onde sua mãe se encontra. A abraça e diz que a melhor coisa que já aconteceu em sua vida é notar o quão belo é o silêncio das pessoas que ela ama. Pelo menos durante alguns dias, Tita e sua amiga não querem ouvir falar em gritos.

Carter fica fascinado quando, em um simples equívoco, as pessoas encontram animação para descrever de forma fantástica o significado que aquilo possuiu durante todo o tempo em que se tornou eterno.
Assim, o nosso amigo os deseja um bom fim-de-semana.