sábado, 13 de dezembro de 2008

Tragando um último suspiro

Todd não vê motivos para continuar sendo o que era. Seu passado, pode-se dizer, dependia de seu sorriso. Todos que o conheciam deixavam-se contagiar por sua animação, por sua maneira peculiar de encarar a vida. Para ele, levá-la a sério era burrice. Nenhum momento era sério o bastante para fazê-lo olhar-se em frente ao espelho com um olhar tão perdido quanto o que ele tem agora. Em um sábado nublado, acorda olhando para o céu, tentando entender o porquê de se familiarizar tanto com a cor triste, pesada que o mesmo decidiu apresentar naquela manhã. Sozinho, ele imagina algo para dizer, mesmo que ninguém ouça, mesmo que nem ele mesmo ouça. Quem o vê agora não entende como uma metamorfose como essa aconteceu.
Em passos lentos, ele se dirige ao banheiro, onde se curva, enche as mãos com um pouco de água, jogando-a sobre seus olhos e, consequentemente, deixando-a escorrer sobre seu rosto, numa tentativa de limpar as possíveis impurezas que o manchavam. Logo depois, se enxuga, indo em direção à cozinha. Alguns envelopes ainda lacrados o aguardam em cima da mesa escolhida como sede de seus diários momentos de relaxamento, caracterizados por permitirem a ele escrever tudo que aprendia durante seus dias.
Ao sentar-se, recebe algumas ligações que, mesmo parecendo demonstrar interesse em seu estado, são encaradas como meros detalhes por ele, fazendo-o apenas responder direta e até friamente a todas elas. Ao colocar o telefone no gancho, ele rabisca algumas linhas em uma folha que havia sobrado do desabafo anterior.
Nesse momento, ele começa a se lembrar do dia em que conheceu dois de seus melhores amigos. Fred e Mark eram aqueles considerados como sendo "pra toda hora". Inseparáveis, aproveitaram a vida de todos os jeitos que poderiam, segundo Todd. Tinham um lema de experimentar tudo que a vida poderia oferecer. Uma adolescência movimentadíssima. Podemos assim definir a fase em que eles estiveram mais unidos. Festas, bares, drogas e a incapacidade de impor limites a tudo. Esse é o resumo dessa aliança. Durante várias noites - algumas até consecutivas - eles voltavam para casa enquanto seus pais saíam para trabalhar, logo de manhã. Tal atitude deixava aqueles que mais se importavam com eles muito tristes, porém, como os mesmos diziam, era apenas uma fase. Logo eles amadureceriam.
Anos vão dando passagem a mais aventuras, a mais loucuras. O limite antes não imposto por ingenuidade, agora não deixa nem rastro de sua existência. Todos com barba, à procura de novos empregos (pois haviam parecido não merecer os anteriores) e à procura de mais uma forma de manterem uma viagem que parecia eterna, rumo à destruição de seus cérebros, de sua alma. Fred agora se encontra com sérios danos provocados pelas fortes drogas que usava há algum tempo. Sua capacidade de raciocínio lógico foi afetada. Ele já não parecia estar nesse mundo. Literalmente. Mark já fazia parte do mundo que consumia e vendia tais produtos, chegando a um ponto de não conseguir mais sair. Todd tentava ser a parte racional do tripé, porém também se afundava em suas recaídas, resultantes da dependência que obtivera pelo uso excessivo de entorpecentes durante a adolescência. Mesmo assim, foi o único que conseguiu encontrar um refúgio que parecia mais tentador que aquelas viagens. Escrevendo, ele decide deixar o registro de tudo que presenciou por conta das drogas, por tudo que elas proporcionaram a ele e a seus amigos. Seu ideal era tão forte que, mesmo sob o efeito de uma de suas maiores inimigas, ele conseguia descrever o quão prazerosa e aterrorizante era sua capacidade.
Dias, meses, anos se passam. A família de Todd diz, em duras palavras, que desiste dele. Seus amigos se perdem pelo caminho, deixando-o apenas o sentimento de nostalgia. Sozinho, ele não se abala, e continua registrando todos os momentos que marcaram seus dias. Um dia poderiam ler aquilo e perceber que uma viagem assim custa muito mais caro quanto o preço pago por sua passagem.
Ainda com um olhar perdido, ele decide desviar sua atenção, do passado para o presente, e olha firmemente para o papel que tem em mãos. Mas antes de iniciar o registro daquele dia, ele pega os envelopes citados anteriormente, decidido a conferir seu conteúdo. Sua expectativa demonstra a ansiedade que possuía quanto a esse momento.
Com uma cautela eufórica, ele retira duas folhas dos tais envelopes. Cada uma possuía a foto de um dos seus antigos "companheiros de viagem".
Depois de conferir cada folha por completo, ele começar a escrever, dizendo:

"Mark e Fred. Duas pessoas que nunca mais vou esquecer. Duas vítimas de uma vida que, diferentemente, gostaria de poder esquecer, porém, se o fizesse, estaria provando que sou egoísta em não deixar nenhum registro que ilumine a cabeça daqueles que se aventuram por um caminho tão tortuoso. Hoje consigo dizer que estou me reabilitando, mas a investigação que fiz sobre o paradeiro de meus amigos me mostra que eles não tiveram a mesma capacidade. Mark confirmou o que já era de se esperar. A vida que escolhera fez o mesmo por ele, escolhendo-o para ser a próxima vítima de sua implacável e insaciável sede de sangue e destruição. Fred se encontra morto. A única diferença entre os dois, é que Fred ainda respira, mas com a ajuda de aparelhos. As pesadas drogas que usava destruíram todas as características que o transformavam em um humano. Numa cama de hospital ele se encontra preso. Finalmente ele encontrou aquilo que o limita. Só queria que tal limite fosse outro e que tivesse sido encontrado no início, por todos nós..."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Valiosa Raridade

" Ela é uma pessoa que faz algo que ninguém nunca fez por mim. Me torna único. Me deixa com um sentimento de culpa quando percebo que não a amo...ainda. Ela me abraça de um jeito que não consigo descrever. Me faz querer que exista apenas aquele momento, ali, com ela perto de mim, me dizendo coisas que dificilmente esqueço. A realidade me mostra cada vez mais que vale a pena quando evidencia aquilo que realmente faz a diferença. Quando estou aqui, sozinho, escrevendo, ela me liga apenas para dizer que me adora. Ela, mesmo quando está sob o efeito de algumas bebidas, consegue passar confiança quando diz que ao meu lado ela se sente diferente, se sente melhor. Não sei se conseguirei amá-la do jeito que ela merece, mas o fato é que estou confuso.
Nunca consegui manter um relacionamento por muito tempo. Sempre percebia, pouco depois de começar a tentar, que não poderia fingir algo, me passando por alguém que tem algum carinho especial, que merece estar ali, interpretando aquele personagem.
Ela já me faz não ter essa certeza. Com ela vale a pena tentar construir algo. Pra um cara que sempre disse que não conseguiria sentir algo de concreto por alguém, estou queimando minha língua. A cada ligação que ela me faz, me sinto como sendo um cara abençoado.
Ela diz que só espera sinceridade. Eu sou apenas sincero com ela. É difícil demonstrar algo. Eu sempre fui muito fechado pra essas coisas. Pra ela, isso não importa. Não tenho nada de concreto na minha vida, mas corro atrás. Pra ela, isso só já importa. Ela diz que aprendeu comigo a dar valor às coisas mais simples da vida. Ela sabe fazer isso desde o começo, o que me faz duvidar de que, algum dia, ela foi diferente do que é comigo.
Falando assim, pareço estar apaixonado, eu sei. Mas não estou. Sou seco mesmo e preciso de uma ajuda imensa para que mude.
Ela chegou tomando a responsabilidade pra si, e sendo essa ajuda. Não sei se isso vai durar muito tempo, mas já confirmei aquela afirmação que diz: Tudo que é bom é intenso e eterno enquanto dura. Para aqueles que como eu, acreditam que não é fácil e às vezes até impossível conseguir construir algo assim, eu apenas digo que não adianta procurar. Apenas acontece. Está acontecendo comigo. Alguém me viu e se interessou em colocar um sorriso no meu rosto. Acho que finalmente alguém entendeu e encontrou o caminho que leva ao que eu sou. E essa pessoa está me mostrando que achou bom o que descobriu durante tal caminhada.
Como ela vive me dizendo: Há algo que não consigo explicar que só acontece quando estou com você. E é bom. Sendo assim, não preciso saber o que é. Só preciso sentir. "


Um depoimento valioso para aqueles que passaram ou sonham em passar por algo parecido. Até os que não amam têm a chance de vislumbrar e até sentir o gosto do prazer que tal sentimento pode trazer.

Parabéns pela capacidade de demonstrar, através da escrita, o que sente - diz Carter ao autor de tão bela descrição.

domingo, 23 de novembro de 2008

Fantasia ou Realidade

Algum modo para explicar o poder dos sentimentos. Dessa vez, a procura se resume a isso.
Encontrar em uma pessoa todos os motivos para lutar por sua companhia e, em outra, todas as certezas sobre como o destino está ligado à nossa vida pode confundir aqueles que não procurarem analisar mais a fundo quais são os sinais enviados pelos seus corpos para que a melhor decisão seja tomada. Unir coração e razão em um momento desses é preciso.
Ele possui em sua vida duas pessoas que o fazem passar horas e horas imaginando o que é o certo, o que é o melhor a se fazer. Uma delas, aqui representada pela letra T, possui milhares de mistérios que o fascinam. Há alguns anos em sua vida, ela o mostra a cada dia que possui características idênticas às dele, fazendo-o acreditar na lenda criada acerca da tal alma gêmea que todos supostamente possuem. Cabelos negros, olhos verdes, pele clara e um jeito todo especial de mostrar a que veio. Consegue viajar com ele quando o mesmo decola em pensamentos transcritos pelas mensagens que a envia desde o começo da amizade, embarcando em sua rotineira e entusiasmante viagem de fantasias. Gostos parecidos, interesses e objetivos que se encontram em perfeira harmonia. Dizer que T é a mulher ideal para ele pode ser óbvio.
Mas é aí que se encontra a magia disso. Ele a viu, pela primeira vez, ontem, em uma reunião de amigos. Vários anos de amizade materializada em mensagens transcritas e apenas um encontro real. Ele a conhece como poucos. Ela o mostra que também faz o mesmo. Tem nela a imagem de tudo que montou em sua mente, com o auxílio de fotos e palavras. T o mostra que tudo que havia sido mostrado é real.
Por outro lado, existe alguém que, em alguns dias, conseguiu conquistar o seu carinho de uma forma impressionante. Com um carisma fascinante, um rosto encantandor e uma naturalidade em suas atitudes que muito considerariam difíceis de se ter, J o fez, pela primeira vez em sua vida, sentir o que é receber carinho de uma pessoa que o deseja e que sabe demonstrar isso.
J tem toda a espontaneidade e toda a alegria que o fascinam desde cedo, quando observa as diversas personalidades encontradas em todas as suas idas e vindas pelo mundo afora.
Ele a beijou pela primeira vez dias antes do encontro com T. Em um momento de pura descontração, ele roubou um beijo quando ela ameaçava abraçá-lo. J não pensou duas vezes, e, com um olhar fixo, exigiu que ele desse continuidade a tudo aquilo.
Voltou pra casa dando suspiros, e meio sem entender o que aquela garota havia feito com ele.
O destino trata de colocar as duas mulheres que conseguiram fazer o que nenhuma outra jamais fez frente a frente. Na tal reunião citada no trecho anterior, T e J mostram que são, sem exagero algum, quase uma pessoa só. Primas das mais íntimas, as duas demonstram a ele que confiança uma na outra é algo que possuem de sobra. Ele se lembra que descobriu o tal parentesco há pouco tempo, e isso o deixou ainda mais impressionado com a capacidade do destino em nos pregar peças.
Ele observa T de uma maneira única. Tratava-se da primeira vez que a via, depois de tê-la conhecido tão bem com o uso das palavras. Ela retribui os olhares, demonstrando-se espantada com algo. Algo bom, vale lembrar, mas ele não sabe o quê, apenas que se trata de algo que a deixa com um sorriso maravilhoso durante todo o tempo.
J demonstra que deseja que tudo que ocorreu dias antes continue, pois, em um determinado momento, ela diz:


"Eu amo ficar do seu lado, te ouvir, te abraçar. Me sinto uma pessoa de sorte por tê-lo como refúgio, mesmo conhecendo-o há tão pouco tempo"


Ele não resiste e a beija, tratando-a, como sempre, como a única pessoa que o interessa naquele momento, pois como ele gosta de dizer, o carinho que sente é constituído de partes. No momento em que se encontra na companhia de alguém, ele trata tal pessoa como se a amasse realmente, fazendo-a notar isso, mas deixando claro que se trata de sua personalidade, e não de seus reais sentimentos. J sabe disso, mas aceita se arriscar e lutar pelo seu carinho.
Mas há, no mesmo local, duas pessoas, duas personalidades, duas mulheres. T é uma descoberta. É algo que o fascina, que admira. Tão igual a ele, tão ideal, tão recente (ao menos se dermos ênfase ao momento em que se encontram realmente). Um enigma que faz parte de toda a sua personalidade, pois trata-se de um rapaz considerado enigma por muitos.
A partir de agora, ele precisa decidir se quer conservar algo real, conquistado com a ajuda de sua impulsividade e que possui um valor extremo, ou acreditar que algo criado por suas emoções, por sua mente, por seus desejos, pode se tornar real. J ou T ? Adentrar à realidade ou transformar a fantasia em algo que se encaixe como tal?
A reação das duas quanto a esse encontro poderá ser fundamental para uma decisão, e ele aguarda ambas com toda a certeza de que mesmo não sabendo se é o certo a se fazer, deixará com que seus sentimentos falem por ele, fazendo-o obter algo que nunca possuiu durante toda a sua vida: o carinho de alguém que o oferece um sentimento real, onde ele, apesar da dificuldade que possui, também consiga demonstrar o que sente.


Narração feita por Carter a respeito de um dos momentos de maior importância que presenciou nas últimas semanas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um só coração...

Trabalho em equipe. Carter sempre ouviu falar e sempre admirou esse termo. Dizem que o efeito causado por essa prática se resume em benefícios soberbos quando se está atrás de algum objetivo, quando vencer uma batalha é um ideal que se estende por toda uma vida. É fato que o ser humano precisa aprender a se relacionar com seu grupo. O trabalho em equipe vai além disso. É preciso, além de se relacionar bem, possuir as mesmas aspirações, enxergar os mesmos caminhos, possuir os mesmos sonhos e agir sincronizadamente, ou seja, todos em um só ritmo, em um só movimento. Na teoria parece simples.
Carter tem um exemplo que exemplifica bem essa idéia. Há alguns dias, ele executou um trabalho que havia planejado durante alguns meses, juntamente com toda a sua turma de faculdade. Tratava-se de um evento beneficente, onde o principal objetivo era proporcionar a dois casais a oportunidade de viver um momento único em suas vidas (ao menos, Carter torce para que seja o único): o casamento. Mas não é uma tarefa fácil organizar um casamento soberbo sem nenhum dinheiro no bolso. O sonho de unir aquelas pessoas começou a ser montado bem antes do dia "D". Carter se lembra dos primeiros passos que deram em busca desse objetivo. Nada andava. Nada se concretizava. O desesperou chegou a tomar conta da mente de alguns. Não era pra tanto. Ou será que era?
Faltando apenas um mês, a turma resolveu praticar uma das artes pregadas pelo profissionalismo contemporâneo: o trabalho em equipe, citado no começo do texto.
Todas as vitórias eram comunicadas aos que estavam dando o sangue pelo projeto. À medida em patrocínios eram obtidos, festas eram feitas quando tal notícia era compartilhada. A emoção resultante dessa vibração se tornava combustível para outros, que lutavam, colocavam a cara à tapa e, com todo o mérito possível, conseguiam mais e mais vitórias.
O prazo para a realização desse sonho se estreitava a cada segundo. Mas tudo que sua equipe havia conseguido até ali mostrava que aquele trabalho possuía uma tendência ao sucesso. Empresas de nome estavam envolvidas e anciosas pelo resultado. A animação por estarem experimentando aquele clima de negócios fazia com que todos de sua equipe buscassem sempre algo mais. Esse algo mais pode ser resumido nas duas suítes que conseguiram para a lua-de-mel dos noivos, agrado que não estava nos planos iniciais do projeto. Fantástico.
Ver pessoas que Carter mal sabia que possuíam tanto potencial trabalhando, se esforçando em prol de apenas um objetivo fez com que ele analisasse ainda mais o ambiente que frequenta a quase dois anos. Através de suas palavras, ele diz: "Se um dia eu for dono de uma empresa, com certeza já tenho toda a equipe que eu preciso aqui". Para um cara tão detalhista como ele, isso é um bom sinal.
O trabalho aumenta quando chegam os dias que apenas fazem margem ao acontecimento mais importante do ano para aquela turma. Mesmo que não seja algo que os dê dinheiro, o árduo trabalho, as noites mau dormidas, o frio na barriga, as brigas, as vitórias, tudo isso fazia com que eles soubessem que estavam envolvidos na história os sonhos de 4 pessoas. Pessoas que rezavam todos os dias por toda aquela equipe, torcendo para que eles obtivessem êxito, pois um momento como aquele, como já dito anteriormente, seria único.
Como não poderia deixar de ser, a equipe de Carter consegue concluir todo o trabalho designado à mesma. Sua turma sente a vibração positiva que teima em abençoar aquela iniciativa.
O dia chega. Logo cedo, Carter parte para o local escolhido com toda a animação, com todos os materiais necessários (e acreditem, eram muitos), e com toda a certeza de que dali sairía algo inesquecível. Sua turma comparece em massa, e todos, na mais perfeita demonstração de trabalho em equipe, suam a camisa em busca do melhor ambiente possível para todos os convidados e, principalmente, para os noivos. A tarde foi marcada pela correria em busca dos últimos pedidos feitos por alguns que acabavam comprovando a teoria de que o homem não pode confiar apenas em sua memória. Haja gasolina.
Carter respira fundo para, logo depois, soltar um suspiro de alívio. O cenário estava montado. Sem ter tempo para repetir tal atitude, ele corre para se arrumar, afinal, é preciso vestir a imagem que um dia sonha em possuir todos os dias. Camisa azul, um nó simples (ainda está aprendendo o tal "Conde Windsor") e seu querido, mas já manjado, paletó azul-marinho com uma calça, claro, da mesma cor. Essa é a "armadura" que Carter usou para a batalha.
O fantástico coral que desviava a atenção do público enquanto o mesmo aguardava pelos noivos fez com que Carter sentisse arrepios, reação causada na maioria dos ali presentes. Trompetes anunciam o início de tudo. A tradicional melodia assiste à entrada de todo o cortejo para, logo depois, abraçar os protagonistas da noite.
Os casais entram com os olhos emaranhados de emoção. Uma das noivas chegou a exitar, ao subir as escadas, mas o amor que sentia fez com que ela seguisse em passos firmes rumo ao altar. Fotos tiradas daqui, dali, imagens gravadas com toda a precisão. Com certeza, o registro desse momento terá qualidade. Qualidade essa que é fruto das escolhas feitas por toda a equipe de Carter, pois trabalhar com pessoas sérias é essencial para aqueles que querem arrancar elogios após todo o esforço feito.
Os beijos selam o que Carter denominou como sendo "algo mais forte que a vida". A imagem que os dois casais buscavam para representar todo o amor que sentiam foi oferecida a eles, primeiramente, por algo maior que todos nós, e que alguns dizem ser Deus. Se assim for, Deus estava do lado deles e, através da turma de Carter, concedeu um dos melhores dias de suas vidas.
Pagamento? Digamos que o sorriso estampado no rosto de cada um dos que ali se encontravam pagou toda a conta.
Trabalho em equipe. Algo que não pode ser ensinado. Algo que não possui teoria como base. É preciso vivê-lo, praticá-lo. Lendo essas palavras, porém, Carter imagina que é possível sim trazer a importância disso para a vida de seus leitores.
Mas lembrar de tudo que passou naquele dia faz nosso protagonista se sentir exausto e, como todo bom trabalho de equipe que se preze, o momento de comemoração e de descanso também requer a presença de todos os seus amigos, afinal, amizade nada mais é do que um esforço conjunto em busca do bem-estar comum.


Carter deseja a todos um ótimo restinho de semana.

sábado, 11 de outubro de 2008

Uma Análise Minuciosa

Ao longo dos quase trinta dias que passou longe do seu refúgio, Carter conquistou várias coisas importantes para o atual momento de sua vida. A faculdade agora o conhece de verdade. Conseguiu, através de um projeto idealizado por ele mesmo, chamar a atenção de todos que fazem parte de seu curso e, consequentemente, chamar a atenção de pessoas rotuladas como importantes pela instituição. Seu objetivo é unir todo o grupo de alunos que integram o curso que faz, pois trata-se de uma novidade no mercado e, sendo assim, necessita de densidade, para que todos vejam a tal iniciativa como sendo firme e promissora. Seu projeto visa exatamente isso: dar importância ao curso.
Ontem ele ministrou a primeira palestra de sua vida. O tema era exatamente esse projeto. Sala lotada, participantes prestando muita atenção e agora, aos poucos, ele está colhendo os frutos.
Outro projeto importante que está em andamento e que conta com sua colaboração, é um casamento comunitário que está sendo organizado por sua turma. A idéia é fazer com que dois casais carentes, que não possuem a mínima condição de organizar um evento desse tipo, sejam abençoados pelos laços do matrimônio, com tudo que têm direito. Mas eles possuem o principal para sonhar com algo assim: amor.
Sendo assim, toda a turma de Carter está dando o sangue em busca de parceiros e interessados em apoiar de alguma forma essa idéia.
Ontem, pode-se dizer que nosso protagonista teve um dos melhores dias de sua vida. Ao encontrar pela primeira vez as noivas escolhidas para estrelarem o projeto, ele as apresentou à empresa que ficará responsável por montar o álbum de fotos do casamento. Os olhos delas brilhavam enquanto cada página dos ábuns de demonstração era vista como se fossem elas, ali, maquiadas, vestidas com uma roupa que marca um dos momentos mais especiais da vida de uma mulher. Mas não, eram apenas fotos de outras pessoas, mas que pareciam convidá-las a embarcar naquele sonho, naquele momento. É gratificante. Carter sentiu isso. Ver que seu trabalho está dando certo é bom. Mas ver que alguém está sorrindo, mesmo diante de tantas dificuldades que a vida impõe, é melhor ainda. E estão sorrindo por sua causa. Carter tem culpa nessa história.
Os próximos dias serão cruciais para o sucesso dessa idéia. A cada momento, Carter sente que algo de especial vai acontecer no mês de novembro. Isso é bom.
Vickie saiu de sua vida, seus amigos estão tomando diferentes rumos. A vida realmente preparou algumas surpresas para Carter, mas ele não se queixa, pois Vickie e ele apenas perceberam que não tinham nada a ver um com o outro. Seus amigos estão, ao se distanciar, montando suas vidas, assim como Carter.
O mundo está à espera dele. Ele está à espera do mundo. Como sempre diz: "O mundo é tão grande para nos contentarmos em conhecer apenas um país". Esse é o lema de sua vida.
A base está sendo construída agora, e compartilhar esse processo com todos que lêem seu espaço é uma honra. Carter tem toda essa certeza.
Ao som de Macy's Day Parade, do Green Day, ele se despede, tendo a certeza de que, apesar dos dias de ausência, seus textos estão imortalizados, pois possuem palavras que relaxam, que animam, que surpreendem, que marcam seu ser. Motivo? Elas são palavras sinceras.
Como tudo seria se todos soubessem do poder das tais palavras? - Carter se pergunta.
A resposta vem quase que imediatamente:
Elas seriam comuns...