domingo, 10 de agosto de 2008

"Muito prazer..."

Carter possui, como uma de suas características, sempre buscar ser cordial com todos que fazem parte da sua vida. Às vezes, a raiva e o orgulho não o deixam alcançar esse nível de amplitude de espírito, mas são casos raros que são resolvidos com uma simples conversa olho-a-olho. Ontem, decidiu ir visitar uma pessoa que já fez parte de sua vida de uma forma muito divertida e marcante. A mesma se encontra em uma situação difícil, pois uma enfermidade havia tirado alguns dias de sua vida tão descontraída e empolgante.
Com a certeza disso o tempo todo, ela se recuperou de uma forma surpreendente, fazendo com que Carter admire ainda mais aquelas pessoas que aproveitam cada dia como se fosse o último, pois, afinal de contas, pode realmente se tratar do mesmo.
No caminho, como ele sempre vai para lá com a ajuda do velho e requisitado sistema rodoviário da cidade onde mora, ele liga seu Mp3 e coloca no volume máximo. Observando as paisagens que vêm em direção aos seus olhos, ele analisa qual seria a surpresa daquele dia. "Será ela boa ou ruim?" Todos deveriam torcer para que acontecesse algo que marcasse cada dia de nossas vidas. Claro que algo bom.
Infelizmente, nesse dia, a surpresa não era nada agradável. Quase chegando ao seu destino, Carter se levanta para ficar próximo à porta. Quando o veículo pára, o motorista abre todas as portas. Um indivíduo que beira seus 25 anos, estatura baixa, pele morena, cabelo curto, com os olhos surrados do sol que acabara de encarar por um longo período atravessa a rua. Com um balde cheio de água, se dirige para a porta da frente, aparentando querer entrar no ônibus. Mas sua intenção se mostra outra quando o mesmo se posiciona e faz um movimento brusco, que contribui para que a água encontrada no balde seja atirada no motorista.
Logo depois ele larga o balde, e caminha em direção à esquina logo à frente.
O motorista se encontra encharcado, com um olhar perdido. Por 10 segundos Carter o observa. Por 10 segundos, todos os passageiros o observam.
Ele pega um lenço que guarda no bolso e enxuga seu rosto. Foi a primeira vez que Carter presenciou uma situação em que a vítima tinha todos os motivos para chingar o responsável por aquilo, mas não o fez. Apenas se calou diante de tal falta de respeito para com o próximo.
O que aquele rapaz ganharia com aquilo?
Qual frustração teria motivado tal atitude?
Todos se perguntavam.
Carter queria poder dizer algo para o motorista, mas nessas horas o silêncio é a melhor opção, pois faz com que a mente assimile mais rapidamente que aquilo foi um ato sem motivos de uma pessoa que já não encontra motivos concretos para viver de uma forma digna.

A viagem segue em silêncio. Não é todo dia que presenciamos algo assim. Espero que não nos acostumemos como temos feito quando um motorista avança e deixa possíveis passageiros para trás, ou quando o mesmo freia bruscamente e arrisca a integridade física de pessoas que já não têm a mesma resistência de antes. É uma guerra de valores exemplificada por uma simples "carona" em um ônibus.
Carter percebe que a educação, independente do ambiente, é um dever de todos. Ser cordial é apenas o primeiro passo. Todos ali têm um motivo para enfrentar um sistema caótico, que, aos poucos, está aprendendo que o respeito para com todos os tipos de pessoa é a única opção, pois a segurança é um direito de todos.
Chegando ao seu destino, Carter revê aquela amiga que acabara de passar por um momento onde a maioria das pessoas ficaria desiludida, e não daria mais atenção a cordialidades e à alegria. Mas ela não. O recebe de braços abertos e abre aquele sorriso que os fizeram tão felizes em uma época que nunca será esquecida.
Se não encararmos as pessoas que fazem parte de nossas vidas, mesmo que de modo simples, como gostaríamos que nos encarassem, talvez, ao invés de ter que sentar e ter uma conversa olho-a-olho com um desafeto, teremos a famosa disputa onde o lema é "Olho por olho, dente por dente".

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Heróis Nacionais

Sexta-feira animada, ao menos se constatarmos que Carter já acordou sorrindo, esperando anciosamente pelo início da transmissão da abertura oficial das Olimpíadas de Pequim. Sem dúvidas, é um evento grandioso. Apesar dos vários conflitos envolvendo China e Tibet, os jogos sempre têm o seu glamour que salta aos olhos de qualquer um que se interesse em acompanhá-los. Carter vibra quando percebe que, ao menos em determinadas vezes, a paz se encontra reunida em um só ambiente. Pessoas com as mais variadas personalidades, com as mais surpreendentes histórias, se encontram todas em um clima de festa e conquistas.
Uma pena essa ocasião ser tão rara. Às vezes, Carter imagina o mundo como sendo uma eterna competição esportiva. Todos batalhando, suando e determinados a conseguir alcançar aquele que seria o principal objetivo de uma vida: uma medalha de ouro. O ouro que não deixa de ser o símbolo da ambição desde épocas remotas, mas que aqui, possui um significado diferente.
Líderes mundiais reunidos apenas para aplaudir aqueles que fazem o orgulho de seus países ser erguido ao máximo. Aqueles que se esforçam durante toda uma vida em busca de um lugar ao sol e, conseqüentemente, do reconhecimento de seu país.
O patriotismo poderia se referir à busca pela representação concreta das qualidades de um país, e não pela hegemonia bélica ou capacidade econômica do mesmo.
O esporte tem o mesmo peso da educação, sendo que, aliado à essa, possui um peso altamente significativo para o desenvolvimento de um indivíduo.
As Olimpíadas de Pequim, ou Beijing, como estamos nos acostumando a chamar esse país, vieram para dar um ar de glamour e heroísmo a todos que procuram melhorar o convívio entre os povos, ou ao menos acreditam estar tentando fazê-lo.
Mas, infelizmente, o mundo não é uma contínua Olimpíada. E é por isso que esse momento deve ser lembrado, como sempre foi, por muitos anos, sendo seguido por várioos outros povos, para que assim, possamos torcer e sorrir com mais sinceridade e mais vontade em meio a tantas diferenças. Caso façamos isso, perceberemos que essas mesmas diferenças só existem para nos provar que, no final, é fácil constatar que todos temos o mesmo objetivo em nossas vidas: sermos felizes.

Carter deseja boa sorte ao Brasil e boa sorte a todos os outros países participantes!
Como dito no slogan dos jogos...

One World, One Dream!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Aprender a Ensinar

Carter se prepara para voltar à rotina que se acostumara antes que o mês de julho chegasse. Estudos, trabalho e um pouco mais de compromissos fazem desse semestre um prato cheio para alguém que sempre gostou de ser útil em algo.
A verdade é que depois de passar por tantas experiências marcantes, uma delas transformada em um tipo de "arquivo virtual", Carter agora precisa de algo concreto, para que possa mostrar para sua família que ele não vive só de palavras e monitores. O engraçado é que seus parentes já tinham essa certeza a algum tempo.
Por onde começar? A faculdade não é lá o que ele esperava. Claro que é uma oportunidade e tanto, mas ele sempre sonhou com algo que o completasse de verdade, algo que o fizesse se sentir realizado. Muitas pessoas sentem isso ao ingressarem no mundo acadêmico. Ele não.
Sem querer parecer reclamar de barriga cheia, Carter afirma que a aptidão de cada um se diferencia das que um ou outro possuem. Mas nada melhor que possuir uma certeza de renda para que seus sonhos e suas idéias sejam postas em prática.
Aliás, é isso que ele deseja quando sai à noite para estudar. Ele não ama o curso que faz. Ele o faz por necessidade mesmo. Mas isso não indica que ele não sente prazer em prestar atenção ao que os professores dizem. Pelo contrário, o prazer vem em forma de dever, e quando cumprimos o nosso dever, sentimos que fomos úteis em algo. Como dito anteriormente, ele adora esse sentimento.
Muitos dizem que Carter possui um futuro magnifíco, profissionalmente falando. Aliás, já compararam sua vida pessoal, que não é lá essas coisas, e constataram que ele viverá para o trabalho mesmo. E essa é a verdade. Sua opção é essa.
A crença de que se uma possível estabilização financeira vier, uma estabilização pessoal virá de carona é o que o faz seguir lutando pelos seus ideais. Seu sonho é fazer Relações Internacionais. Poder interagir com a cultura, com a política, com a organização de outras sociedades é sua vontade. Mas na falta de um cachorro, porque não utilizar um gato, não é mesmo? Afinal, o futuro só o nosso destino conhece.
Por ser muito novo, Carter ainda não sente a pressão de ter algo concreto desde já em sua vida. Sentirá, sobre isso não há dúvidas. Mas aproveitar cada segundo que lhe é concedido para aprender aquilo que um dia pode vir a ser algo importante para ele é o seu objetivo primordial.
A arte de aprender vem para suprir uma deficiência existente em grande parte da população do nosso país: a dificuldade em ensinar.
Poder se expressar de uma forma clara e objetiva deveria ser considerado um dever. Porém, nem todos têm as oportunidades que foram oferecidas a ele. Carter sabe disso. Mas não adianta apontar problemas sem encontrar soluções. Criticar todos sabem. Resolver, poucos tentam.
Sua parte vem sendo feita ao longo dos anos. "Toda grande caminhada começa com pequenos passos", já dizia um provérbio Chinês que Carter adora utilizar como base de seus pensamentos.
Se cada um se preocupasse com o gradativo crescimento de seu espírito, talvez essa caminhada não deixasse tantas almas à procura de um motivo para continuarem em movimento.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Abrindo os olhos, fechando a alma

Ele sente que tudo acabou. Ela o prova que agora vive da realidade. Aquela relação que antes possuía a qualidade de fazê-los se encontrarem em uma realidade que eles mesmos construíam encontra-se desfigurada. Ele tenta mostrá-la que se os dois se mantivessem juntos no mundo que criaram a amizade poderia ser diferente das que eles estão acostumados a ver todos os dias. Poderia ser melhor. Ela mostra que não quer embarcar mais nessa viagem.
Diz com duras palavras que ele não cresceu. Ele ouve calado toda aquela lição de como mudar uma personalidade do dia para a noite. Ela o compara a todos que estão à sua volta. Odiando ouvir aquilo, ele imagina que ser diferente às vezes pode não ser o bastante para as pessoas que nos importam de verdade. Elas podem querer o casual.
Ela diz que ele nunca vai tê-la. Mas ele nunca quiz tirá-la do homem que ela ama.
As qualidades que ela possui são ditas por ele, mas ela as compara à uma cantada das mais comuns.
A intenção dele nunca foi tê-la como namorada, como esposa, como mulher. Ele apenas queria mostrar para alguém o quanto valoriza o sentimento que sente por este ou aquele. Ele apenas queria que ela viajasse, que ela imaginasse que ali teria um eterno admirador. Um admirador de sua personalidade. Um admirador de seu namoro. Um admirador de suas atitudes.
Ela parece não entender mais. O tempo foi crucial para decidir o caminho que essa amizade tomaria. Sua parceira de viagens tinha ficado em algum lugar do caminho percorrido até ali.
A reação que tem ao perceber que ela se tornou uma pessoa que se afugenta nas condutas da realidade para mostrar que "cresceu" o faz entender que nem todos aceitam que essa é a pior coisa a se fazer com sentimentos que muitos não sentem durante sua passagem por essa vida.
Sentimentos que os dois haviam construído. Um amor sem possessão. Uma confiança em olhos fechados. Uma sinceridade contínua. Uma amizade diferente.
Aquela garota que ele já conheceu tentando entender. E isso para ele era o máximo. Ele queria apenas ouvir dela tudo que ela sentia. Ela o fez por algum tempo. Com certeza, um dos períodos mais interessantes de sua vida.
Mas agora, ele a vê simples. Agora, ele a vê sem mistérios. Ela é realista. Ela resumiu tudo que ele mostrou até agora como sendo uma simples cantada. Uma cantada? Se ele nunca quiz tirá-la do homem que ela ama?
Ele sempre admirou tudo que aquele namoro representava para ele. E agora ele é um simples animal a fim de alguém?
Mesmo que fosse, pensaria muito antes de tentar. É o seu jeito. É a sua personalidade.
Sentindo que aquilo abriu uma ferida em sua alma, ele apenas se vira e vai embora.
Não quer ouvir lições de como se tornar uma pessoa comum, principalmente vindo da pessoa que participava de um mundo que os tornava diferentes.
Não sabe se vai voltar a vê-la. Ele não quer.
Existem duas possibilidades para uma relação, seja ela qual for, se tornar duradoura. Ou a atitude dos envolvidos faz com que os mesmos vejam o seu fim, tornando-se assim única, ou ela dura o bastante para se tornar comum.
Ele sentiu isso na pele.
Agora, se sente sozinho novamente. Ao menos tem a certeza de que aquilo é o que ele é. E não pode se tornar só mais um em um mundo que está cheio de comodidades e condutas que controlam todos os movimentos e até pensamentos de uma pessoa.
Desculpe-o, pois ele apenas queria que você lutasse pelo que disse acreditar de verdade.
Ao ouvir isso, Carter apenas fecha os olhos e pensa como seria bom se todos fossem aptos a pensar dessa forma. Mas se todos pensassem, seria comum. Sendo comum, não teria mistério.
Essa vantagem diferencial é o que torna alguns indivíduos interessantes. O que acontece é que às vezes esse interesse não é compartilhado por muito tempo. Infelizmente.

domingo, 3 de agosto de 2008

Refletindo a realidade

Sua atitude já começava a incomodá-lo. A insistência em se manter fechado daquela forma o destruía a cada segundo. Dizer o que sentia não era tarefa fácil. Mas só ele sabia disso. As outras pessoas não entendiam o porquê daquela dificuldade em dizer o que estava lhe fazendo mal.
Só ele entendia.
Quando questionado sobre qual seria o motivo de se encontrar chorando em silêncio, onde tentava de todas as maneiras não dar pistas do seu estado, ele apenas responde que todos passam por momentos em que analisam toda a sua vida e percebem que o que fizeram até ali pode não ter valido tanto a pena.
Suas características são comparadas a de um indivíduo que cuida da imagem e esquece do conteúdo. Um indivíduo que vive com uma máscara, e, apesar de contraditório, percebe que é com essa máscara que ele mostra quem realmente é.
Sente que aquilo pode ser um sinal de que algumas pedras não foram retiradas durante seu trajeto.
Uma das pessoas que mais o inspiram, que mais o deixam fascinado acha isso.
Um balde de água fria cai em sua cabeça. A nostalgia começa a tomar conta de sua alma.
Esse sentimento começa a fazê-lo querer voltar no tempo e tentar melhorar as coisas.
Esse mesmo sentimento o mostra que isso não é possível.
Ele apenas respira fundo, passa as mãos sobre o rosto e olha para a pessoa que havia sido tão sincera com ele.
Ela direciona seu olhar para aqueles olhos mareados de culpa e decide conversar sobre aquilo.
Arranca dele uma informação importante.
Todo o seu medo se resume em existir a possibilidade de sua alma se transformar naquilo que ela havia proferido anteriormente.
Ele nunca quiz ser vazio assim. Se arrepende das vezes que a fez chingá-lo, que a fez ter raiva de ainda conversar com ele.
A resposta da garota é: "Carência. É isso, não é?"
A incerteza da resposta o faz acreditar que seja algo mais profundo que isso.
Suas palavras soam fundo dentro daquela mente. Ao perceber que, mais uma vez, ela havia acertado em cheio no que dizer, ele espalha um olhar vazio sobre o ambiente em que se encontrava.
"Essa é a sua última chance de me dizer o que você está sentindo" - sussurra ela minutos depois.
A confirmação da opinião lançada antes acontece.
"Todas as qualidades que você possui eu procuro em outras pessoas. Eu gosto de pensar que você é a idealização daquilo que eu mais procuro em uma mulher. Porque eu só consigo olhar para pessoas que eu sei que nunca vou ter pra mim?" - diz em um tom que apenas uma pessoa que estivesse bem próxima a ele entenderia. Bem próxima em todos os sentidos.
"Você deseja algo que está pronto. A idealização que você diz estar na sua cabeça é a soma de todas as minhas qualidades e também de todas as qualidades do meu namoro. Você sente falta disso na sua vida. Você quer isso pra você. Mas ninguém tem o direito de pegar as coisas prontas.
Abra seus olhos, construa tudo isso pra você." - ela responde com um tom que o faz enxergar tudo que não havia visto até ali.

Sem conseguir olhar diretamente para aquela pessoa, ele pergunta se pode continuar sentindo esse sentimento, que ele considera ideal, por toda sua vida.

A resposta é curta e precisa: "Deve!"

Os olhares mudam. As idéias mudam. A reação dos dois é muda.
O sol nasce. A noite que havia passado de forma tão sincera acaba. Ele se levanta, a abraça mais uma vez, agradecendo, mesmo sem dizer nenhuma palavra, a tudo que ela era. A tudo que ela vai ser para ele.
Sua carona chega e ele se despede com um olhar de nostalgia e, em seguida, um olhar de decisão, vendo à sua frente a chance de traçar seu destino.
Ser ideal para uma pessoa, procurando ser verdadeiro com a mesma.
Que mil sintam a sua sinceridade, por mais difícil que seja de entendê-la. Se apenas 1 sentir o prazer de conhecê-lo realmente, sua recompensa será muito mais valiosa.



Carter adora quando percebe momentos em que o valor dos sentimentos humanos entra em destaque. Trabalhar isso é querer melhorar, é querer evoluir. Isso é bom.