quinta-feira, 31 de março de 2011

Querido diário,

Hoje foi um dia bem legal. Mas pra você entender porque meu dia foi legal, você precisar ouvir o que eu tenho pra te contar sobre a minha vida. Não tenho tanta experiência nela, sabe. É que eu tenho 10 anos, e meu pai diz que 10 anos é idade de quem ainda fede leite, como eu. Ele é engraçado, meu pai. Bom, quando eu tinha 6 anos, comecei a estudar num lugar chamado escola. Não sei se você conhece, mas é um lugar chato onde todo mundo aprende a ser igual ao professor. O que acho esquisito, porque não quero ser professor. Deve ser chato.

A melhor parte de ir pra aula de professor é que a Juliana sempre estava lá.

A sensação era boa, a sensação de ver a Ju, sabe? Dava um friozinho e uma dor na barriga. Acho que é porque ela me fazia ficar com vergonha do dente que perdi. Era o da frente. Eu não queria que ela achasse que eu era um menino que perdeu o dente da frente. Ela sentava lá na primeira cadeira, da fila da direita pra quem vive no fundão. Eu não tinha coragem de conversar com ela. Na verdade, eu nem tinha coragem de conversar naquela época. Mas, com ela, eu tinha vontade. Um dia, mandei um bilhetinho anônimo enrolado num bubaloo de tutti-fruti, pra ver se ela olhava pra trás e me notava. Aí ela não olhou. Mas ela também nem recebeu o bubaloo. É que o Pedrinho Sarda, que vivia roubando meu lanche, roubou mais uma coisa de mim.

Quando chegamos na 3ª série, ela conseguiu ficar mais linda ainda. E eu mais feio. Pelo menos meu dente tinha crescido. Mas eu ainda tinha vergonha dela. Perguntei pra minha mãe porque eu tinha que sentir isso com ela. Minha mãe respondeu que é por causa da graça. Eu não entendi muito bem. É que na verdade ela não disse com essas palavras. Ela só riu, sem dizer mais nada. Aí achei que era pela graça que eu sentia aquilo pela Ju.

Ela conseguia ficar mais cheirosa a cada dia. Sempre que eu via a Ju subindo as escadas pra entrar na sala, fazia questão de ficar do lado da porta pra poder sentir o vento da passagem dela batendo no meu rosto. Acho que meu coração também gostava, porque ele ficava batendo rápido, rápido quando ela fazia isso.

Diário, acho que gosto da Juliana mesmo. Aí hoje eu fiz questão de contar pra você o que aconteceu na escola. Sempre tive medo de dizer pra Ju o que eu sentia quando a via, achando que ela não estava nem aí pra mim. Hoje, quando estava brincando no parque da escola, vi que a Juliana estava sozinha no banco que tem lá. Respirei fundo e resolvi ir em direção a ela. Quando sentei no banco, ela olhou pra mim e sorriu. Fiquei muito feliz. Aí, ela tirou do bolso um bubaloo e me entregou. Você acredita que tinha um bilhete enrolado nele? Ri sozinho e abri. Quando vi o que estava escrito, não soube muito bem dizer o que significava, mas sabia que era bom. Estava escrito “Eu te amo”. Acho que é uma coisa legal.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Novo refúgio



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sábado, 25 de julho de 2009

Berros e Sussurros

-

Certa vez me perguntaram qual o motivo de não possuir a companhia de nenhuma mulher que eu pudesse chamar de minha.
Respondi que não era escravo de minhas opções, mas sim de meu desejo.
Desejo esse que me atormenta sempre que lhe vejo.
Teu olhar penetra fundo, fazendo com que minha alma não se importe mais em exalar mistérios.
Teus pés, próximos ao meu colo, me fazem sentir uma vontade incontrolável de tocá-los, de fazer com que teus lábios sejam devorados pelo seu próprio êxtase.
Minhas mãos a tocam, me fazendo pensar que não posso cumprir a promessa que me fiz, minutos antes de encontrá-la.
Não dá, ao menos não neste momento.
A palma de minha mão a acaricia, se aproximando cada vez mais da essência de teu corpo, e teus olhos fazem o possível para fixarem-se em mim, sem sucesso, pois sabem que até eles, naquele momento, perdem o controle sob suas reações.
O perigo nos avisa, grita em nossos ouvidos. Nós escutamos tudo, inertes, ignorantes, decididos.
A certeza do desejo aumenta cada vez mais e nossos corpos decidem que não mais ficarão separados.
Eu a levanto, ergo-a a uma altura em que possa imaginá-la como um anjo, com asas que a fazem ficar leve como uma pluma, por abanarem-se no momento exato.
Neste momento, você é minha.
Meu corpo adquiri uma nova vida, com novos sentimentos, vivendo, temporariamente, em um novo mundo.
Um mundo onde o medo, o receio e as amarras da realidade não se fazem tão poderosos.
O brilho pesado e de incriminador que antes ofuscava minhas vistas já não existe.
Sua mão já não o indica mais pra mim.
Você decidiu entregar-se por inteira.
Minha boca decide sentir o teu gosto, fazendo com que você sinta sua consciência berrando, mas em um misto de prazer e alerta.

Você se consome por saber que quer fugir dali, desejando ficar pra sempre.
Não somos mais donos de nada.
Sentindo-nos livres, perdemos o controle.
Somos, agora, apenas reféns.



Carter.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Palavras lançadas

Não sei o que acontece comigo às vezes. A questão que mais me assusta é não descobrir o que é e, no final da minha vida, essa resposta se apresentar a mim, dizendo que estava logo aqui, debaixo do meu nariz. Eu quero as pessoas ao meu lado, mas pareço não me importar em lutar por elas. Ao menos não explicitamente, como deveria. Elas reclamam, me xingam, me dizem importantes verdades e voltam dizendo que não conseguem ficar com raiva de mim por muito tempo.
E eu demonstro. Eu sei que sim. Mas do meu jeito, o que parece não ser o bastante. Eu as respeito, eu as prezo, eu as admiro muito. Mas pensando bem, o meu erro pode estar em manter isso pra mim. Quando se sente tantas coisas boas por alguém, o significado de cada sentimento não é totalmente visto por nós, que sentimos, mas sim pelas pessoas para as quais os demonstramos, entende?
Não há motivo pra guardá-los conosco. Eles não existiriam se não tivessem como único objetivo serem complicados. É, pode ser esse o meu erro sim. Engraçado como eu não sinto tanta falta desse compartilhamento. Talvez porque não sou eu quem deva sentir essa sensação, mas sim as mesmas pessoas que compartilham comigo seus sentimentos.
Eu errei. Errei por muito tempo com muitas pessoas que poderiam ter marcado ainda mais minha vida. Outra coisa engraçada me vem agora à cabeça. Como percebemos isso apenas depois de perder cada indivíduo que estava ao nosso lado, como as nuvens que sempre acompanham, estáticas e belamente inspiradoras, o sol. E mesmo havendo aqueles dias em que não conseguimos enxergá-las, temos a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, elas voltarão.
Ficar sem escrever não foi bom. Aqui encontro uma pessoa que eu sei que vai me ouvir e vai conseguir me dizer o que tenho que fazer. Mas talvez eu deva escrever não para mim mesmo ou para pessoas as quais ainda estou conhecendo, mas sim para aquelas que mostram diariamente que torcem e gostam do que eu sou. Talvez algumas cartas representem a vontade que tenho de mudar, não é?
Em um lugar assim, onde as pessoas possuem almas tão fragmentadas e instáveis, as palavras podem representar uma metamorfose em formas de agir e pensar, pois todos sabem que, quando tudo isso acabar, nós perceberemos que só podíamos contar uns com os outros ao longo de todo esse tempo. Ou vai dizer que você não balançou a cabeça positivamente quando leu o trecho em que digo que nós só percebemos o valor de algo quando nos deparamos com sua perda?
Pense nisso. Eu o fiz.
Grande abraço. Carter.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Acaso ou Presságio?

*

O que tudo isso é? De onde tudo veio e para onde vai? Isso realmente era pra acontecer comigo? Mas qual o motivo?

Perguntas como essas intrigam a mente daqueles que pedem um tempo da frenética e necessária vida em sociedade para poder entrar nas edificações, vias e becos encontrados na existência humana.

Existem aqueles que apostam todas as suas fichas na idéia de que tudo existe por um motivo, por um propósito, como se um arquiteto houvesse projetado cada movimento desse complexo e instigante espaço chamado universo. Há também os que acreditam que trata-se da famosa coinscidência. Aquela que diz que tudo não passa de acaso, pois a mensagem que você encontrou ali poderia ter sido encontrada por qualquer um e só caiu nas suas mãos porque você estáva no momento certo e no lugar certo.

Aristóteles, Sócrates, Platão, Demócrito. São deles os argumentos que rebatem essa segunda opção. Para eles, aceitar que tudo acontece sem um motivo em especial é querer dizer que a vida existe apenas porque não poderia ser diferente. Isso é vago. A sede que tinham de conhecimento não era explicada apenas com um gole de água salgada como essa explicação metaforicamente pode ser encarada.

Somos regidos por uma divindade ou por povos de outras galáxias? Somos experimentos realizados por eles ou criações divinas de algo ou alguém que realmente tem esse dom?

O fato é que, mesmo sendo experiências ou divindades, temos nosso próprio dom em mãos: o dom de questionar tudo isso, pois como já dizia um grande pensador da história "aquele que não questiona a vida não é digno de vivê-la".

A arte de pensar já foi mais trabalhada. Na época dos pensadores supracitados, toda atitude era pensada para que a ordem da "maioria tem sempre razão" não fosse acatada. A maioria pode ter uma opinião que não é a correta. É preciso pensar, usar a imaginação para idealizar situações que nos mostrem como tudo aconteceria caso nossa opinião fosse a verdadeira. O cérebro humano é como qualquer planeta do sistema solar. Explorá-lo por completo pode demorar por muito tempo, isso se realmente conseguirmos um dia. Talvez a única habilidade que necessitamos dele seja essa, a qual essas palavras se referem nesse momento.

A sociedade precisa reavaliar seus conceitos, parar de andar no piloto automático. Vários seres humanos já provaram que podem ser surpreendentes sem que isso seja algo catastrófico. Todos eles sabiam da força da única arma que realmente temos a capacidade de controlar e só não o fazemos por conta de vícios que vêm consumindo a humanidade aos poucos.

Acordar todas as manhãs e questionar tudo que lhe aconteceu no dia anterior tentando entender tudo que irá acontecer a partir dali é perceber que podemos não ter todas as respostas, mas podemos sim encontrar algumas, e uma delas já nos dá uma certeza que por si só tem uma força enorme quando assimilada por completo: a de que só podemos contar e acreditar uns nos outros.

domingo, 5 de abril de 2009

Como se usa um escafandro?

(Fim de tarde, em algum lugar do hemisfério sul)
.
- Hey George, cheguei!
- Olá Ann, como foi o dia?
- É, tudo correu como o esperado. É o que a rotina costuma fazer (risos).
- Imagino. Ah, olha só, loquei um filme pra assistirmos. Me acompanha?
- Claro amor, deixe-me só tirar esse cheiro de escritório do corpo e já venho. Me espera?
- Claro Ann. Mas não durma na banheira, ok?
- (risos) Ok, vou tentar...
.
(Algum tempo depois)
.
- Prontinho, tentei ser rápida e penso que consegui. O filme é de quê?
- Me disseram que é um tipo de drama. Recebi boas recomendações dele.
- Ok, então aperte o play logo!
- Não não, a pipoca tem que fazer parte do show. Espera só um pouquinho amor.
- Disse tudo, vai lá.
.
(...)
.
- Prontinho Ann, podemos começar.
.
(algumas horas depois)
.
- Hum, forte o tema. Não sei, não gosto de violência. Acho que não gostei tanto desse filme George.
- É, também fiquei meio perturbardo. Mas as cenas das mortes ficaram muito realistas, você viu?
- Sim sim amor, realmente, são o ponto forte desse filme.
- Nossa, são sim. Quando o rapaz prende a moça no arame e... Hum, amor, sei que não faço muito isso, mas comecei a pensar em uma coisa. Você percebeu que ficamos de alguma forma fascinados com as mortes em todos os filmes desse tipo que assistimos?
- Hum? Ah George, sei lá. Acho que é valido quando se trata de ficção. E é por isso que muitas pessoas ganham dinheiro. Elas sabem que não vamos levar isso tão a sério a ponto de sentir repulsa.
- É, pode ser. Mas é estranho. Quando paro pra pensar, vejo que o ser humano tem uma atração pelo mórbido. Me dá calafrios dizer isso, mas acho que todos temos um lado sádico escondido.
- Nossa George, mas eu, por exemplo, não consigo matar uma barata sequer! Não me inclua nessa sua generalização, por favor.
- Não me entenda mal Ann. Acho que estou viajando demais. É que depois de pensar um pouco, eu fico na dúvida se existe essa barreira separando ficção e realidade.
- Hum? Não entendi...explique-se melhor.
- Ok, vejamos bem. Nesse filme, por exemplo, estávamos torcendo pela mocinha o tempo inteiro. Para que ela matasse o vilão e conseguisse sobreviver, não é?
- Sim sim, e daí?
- Ann, eu lhe pergunto, como você diz que não levamos tão a sério o que nos é apresentado se, enquanto o filme passa, participamos ativamente, torcendo para que ela o mate? E se isso acontece? Qual a diferença disso para o que aconteceria se fosse o contrário? Da mesma forma, não se trata de um pensamento sádico? Não se trata de querer ver a morte na tela da tv?
- Nossa George, me senti culpada agora.
- É, me senti assim também.
- Amor, talvez com o tempo, a humanidade tenha se acostumado tanto a ver coisas assim acontecerem, que a ficção acabou sendo incorporada pela realidade, o que a faz ser mais uma rotina na vida das pessoas. O que me assusta é o tema.
- Realmente Ann. Uma metáfora para isso é, por exemplo, um acidente de carro. Já percebeu como as pessoas se dirigem rapidamente até o local para ver o resultado daquele acontecimento? Muitas até torcem para ver algo mais forte. É impressionante.
- O ser humano é complexo. Em casos como esse, chega a ser patético.
- É, é verdade. É um ser vivo de extremos. Criamos coisas maravilhosas e proporcionamos momentos intensos. E promovemos também os piores sentimentos possíveis, através das piores maneiras existentes.
- Interessante conversar sobre isso. Fazia tempo que não guiava meus pensamentos assim.
- Realmente Ann. Acho que a filosofia me ajudou um pouco, mas todos têm capacidade de fazer isso. Basta querer. A verdade é que a sociedade se acomodou.
- Talvez a rotina a forçou a se acomodar. Mas uma coisa não entendi amor. Te disseram que se tratava de um drama? Para mim, é um filme gore, não?
- É, estranho isso. Mas acho que quando me disseram, se referiam ao buraco que a sociedade está cavando para si mesma. Penso que pode ser seu túmulo (risos).
- É, é verdade...
.
(barulho de tiros do lado de fora)
.
- O que é isso amor?
- Tiros Ann, vamos ver se alguém se feriu!
.
(Janela aberta, olhares curiosos)
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- Acho que não foram nessa rua...
- É, parece que não. Bom amor, quer que eu lave a louça?
- Seria ótimo amor. Enquanto isso, vou ver o que tá passando na tv.
- Ok Ann.

domingo, 29 de março de 2009

Lavando o rosto, enxugando a alma...

" Hoje acordei um pouco incomodado. São coisas que... não sei, não me fazem bem, entende?
Quando fui pegar um copo de leite, vi que havia deixado algumas folhas em branco espalhadas sobre mesa. Eu havia tentando escrever antes de dormir, mas acabei não conseguindo. Acho que ainda não estava incomodado o bastante.
Minha vida está normal. Não ache que é por querer reclamar dela que estou aqui, te escrevendo. Minha vontade é apenas de me expressar um pouco. Torcer para que você leia, para que me entenda ou até para que discorde comigo. Apenas me faz bem ouvir ou ler idéias bem construídas um pouco. Estou torcendo para que elas cheguem até mim.
Sabe, ontem estava assistindo televisão com algumas pessoas da minha família. Em certo momento, comecei a observá-las. Estavam olhando fixamente para a tela. Pareciam obcecados pelo que passava. Obcecados em esperar alguma resposta, algo que os fizesse sorrir. O sorriso veio, e com ele, me veio o peso por ser o único que não tem os pés tão presos ao chão. Sempre fui criticado por ser o único a pensar 'além do limite'.
Eu amo minha família, não me entenda mal. Acho que precisamos dizer isso seja qual for a situação. O amor deve ser compartilhado, incondicionamente, profundamente. Mas minhas costas estão sobrecarregadas. Acho que já se sentiu assim alguma vez. Penso que leva a vida ao menos um pouco como eu, senão, nem me importaria em ouvir sua opinião.
Você sumiu. Sinto sua falta. Talvez esse sentimento ganhe mais peso por você ser a única pessoa a passar pela minha vida deixando algo a mais. Sabia dizer aquilo que me fazia sobrepujar minhas ações, praticando, antes disso, o ato de pensar.
Como você está? O que tem feito? Aonde quer chegar? São perguntas que queria lhe fazer pessoalmente, mas você sabe que nunca fui bom com olhares próximos a mim.
Às vezes penso que quero chegar mais alto do que realmente posso. Ninguém vai me ajudar a conquistar tudo isso, é claro. Eu acredito em Deus, mas acredito mais ainda em mim. É que há momentos em que me sinto impotente. Alguns deles duram mais que o esperado.

Um dia você vai voltar?

Queria poder cumprir a promessa que te fiz um dia. Queria poder sentar ao seu lado, em frente a um lago reluzente, e decifrar o significado de tudo que aconteceu no meu dia. Conversamos tanto sobre isso, por isso tenho certeza de que sente essa vontade também.
Nunca tive a oportunidade, mas obrigado por ter me inspirado tantas vezes. Meus textos ficaram mais ricos depois que você passou pela minha vida.
Desculpa por ter exitado tantas vezes em falar com você. É o único remorso que tenho.
Depois de observar minha família, comecei a pensar mais sobre o que realmente eu quero ser para ela. Um exemplo? Algo a ser seguido por aqueles que possuem o mesmo ou até maior potencial que eu? Seria bom. Você sempre me mostrou que acredita que eu posso ser.
Enfim, posso agora expressar o que sinto. Sinto raiva, alegria, frustração. Todos os sentimentos possíveis estão amarrados em mim, pois sou humano, e como tal, não posso viver sozinho. Tenho que ter ao meu lado pessoas que façam tudo isso valer a pena. Dentre todas as opções que tinha, a que escolhi está lendo essas palavras nesse exato momento.
Continue sendo o elo que me mantém preso a este mundo, pois minha vontade de deixá-lo é muito grande."

segunda-feira, 16 de março de 2009

É apenas um rótulo

Vagando em pensamentos ele vê algo que deve compartilhar com mais alguém. Dá atenção a algo que muitos deixariam de lado por achar que não tem valor, não tem lógica.
Detalhes são míseros pontos de tinta que juntos criam uma obra de arte. Por tanto, são extremamente necessários. Tão necessários que fazem da vida uma dessas obras. Torná-la assim poderia ser tão fácil. Mas se fosse fácil, poderia se tornar comum, como alegria em saber que um salário vai aumentar, na tristeza de saber que não haverá mais como obtê-lo, na certeza de que um dia vamos morrer.
Tornar-se comum não é o caminho. De algum forma, dá pra ser diferente. Assim como Martin Luther King foi, assim como Kennedy poderia ter sido, assim como Sócrates tentou ser. Que seja com atitudes soberbas, que seja com atitudes mínimas. Tornar a vida plausível é chato, é desonesto. Tantas vezes você ouviu falar sobre o sistema e seus erros. Há mais alguém que acredita nisso, essa é a prova. Tantas vezes você tentou fazer suas próprias escolhas, tentou fazer com que elas parecessem um exemplo pra mais alguém, não foi?
E você desistiu...por que? Desistiu por opiniões de terceiros? Penso que não.
Desistiu por ter desistido primeiramente de você.
Acredite, você nunca vai ser tão grande como pensava que poderia. Ninguém é. O que dá pra ser? Diferente. Mas tentar ser diferente num mundo de casualidades é possível?
Poderia ter tentando, não poderia? E daí que um dia fique sozinho. A solidão é apenas mais uma aula chata de matemática que te obrigam a assistir e que dizem ser importante pra sua vida. E eles estão certos. Eles dizem que é na solidão que aprendemos a dar valor no que tínhamos. Até dá pra acreditar quando dizem isso. Mas se tínhamos, por que causar nostalgia quando lembramos que não temos mais? Porque é um outro sentimento necessário. Não se sabe se uma atitude assim realmente muda uma pessoa. E nem é esse o objetivo. Não é preciso mudar. É preciso ser igual, tornando-se diferente da massa. Você tem opnião própria, você fez sua cabeça quando sua mãe lhe deu o primeiro tapa por desrespeitá-la. Você é capaz de fazer jus ao seu nome. Mesmo que pra isso tenha que trocá-lo infinitas vezes.
Você entra em um bar e vê um cara reclamando da esposa enquanto bebe sua 3ª dose de whiskie. Olha pra ele e tenta imaginar o quanto ele está sendo incoerente. Ele poderia estar lá, cuidando dela e tentando fazê-la ver algo de bom nele - você diz. Segundos depois se senta, e começa a beber também. Mas você não tem problemas...ou tem?
Mesmo que você não seja tão aberto quanto o cara do bar, você pode demonstrar o mínimo de emoções para que alguém se importe com você. Ele com certeza saiu aliviado dali. Mas e você?
Enquanto escreve algumas palavras em um pedaço de guardanapo, tenta convencer sua mente a fazer o que acha que é certo. Pensa que acha porque seu corpo parece demonstrar isso, enquanto te faz engolir mais e mais mililitros de cerveja.
Volta pra casa tentando organizar seus pensamentos, que parecem tão surreais quanto essas palavras. Se os ouvissem, não saberiam o que dizer, com certeza. Mas comentários não são necessários. Sua vida já é previsível demais para ter curiosidade em saber quais são.
Apenas acorde no outro dia, vá ao trabalho e volte, para mais uma vez, sentar em seu sofá e tentar achar algum significado numa vida que desde muito antes já havia perdido todos os que vieram de brinde com o seu nascimento. E tudo isso porque você se recusou a tentar entender o significado de tudo à sua volta, fazendo com que palavras como essas soem demasiadamente confusas para aqueles que se parecem com você, para todos aqueles que são previsíveis.




"Apenas comece dizendo algo que faça isso tudo valer a pena ou vá embora."

quarta-feira, 11 de março de 2009

Confissões


É hora de me tornar independente. Com uma frase assim, começo de um jeito diferente mais um dos meus textos. Sempre gostei de participar como narrador da minha própria vida. Sempre que dizia algo sobre mim, o fazia com a ajuda da 3ª pessoa. E vou continuar a fazê-lo. É que às vezes bate uma vontade de falar diretamente com vocês, e acho errado não seguir esse instinto.
Pois bem, voltando ao assunto supracitado, chegou a hora de seguir meu caminho. Durante todo o tempo que estou vivo (o que para muitos pode ser pouco, sendo que o que me importa é a maneira com a qual o aproveitei), pude conhecer várias personalidades distintas, que me fizeram acreditar que o ser humano é sim o ser mais intrigante que existe.
Pessoas que me fazem pensar que não sou só eu que busca algo a mais nessa vida. Pessoas que sabem conversar da maneira que eu sempre conversei. Diziam tudo com um charme a mais, com algo escondido, algo a ser interpretado. Tudo contextualizado de diferentes formas.
A garota que vive em um mundo de fantasias e consegue aliá-lo ao real sem a menor dificuldade, mesmo sabendo que o segundo é o que, por muito, menos a interessa. Tem também a garota que encontra nos sentimentos o combustível necessário para analisar e tomar as rédias da sua vida de uma forma que sempre me admirou ao extremo. E o que falar do garoto que, mediante todas as opiniões contrárias, nunca desistiu do amor impossível que a cada segundo parecia mais real?
São apenas alguns exemplos de como a mente humana pode ser interessante.
Sabendo que minha busca tem potencial, como demonstrado por tais descobertas, vejo que é hora de me desprender daqui. A família é algo a ser preservado, sim. Mas a considero como a base para que um vôo maior seja realizado. É o que eles querem pra mim. Que eu chegue o mais alto possível.
Minha vida será baseada em exemplos como o daquelas 3 pessoas. Acredito que a habilidade que tenho e o prazer que sinto em escrever devem chegar um pouco mais longe. Tenho sonhos ambiciosos, porém, possíveis, e mesmo que não fossem, eu os tornaria. Tudo porque sei que o ser humano é capaz de maravilhas.
Claro que conheço o lado triste da nossa existência. Ainda vou conhecê-lo muito mais. É que pra mim é complicado não acreditar que algo melhor seja possível. Pode ser que um dia eu me encontre numa situação em que a crença em algo melhor seja mínima. Nunca se sabe. Mas eu torço para que nunca aconteça, pois a confiança que tenho em atitudes pequenos porém valiosas é prioridade pra mim.
Alguns buscam essa crença na religião, alguns no trabalho, alguns na própria família. Que seja. Não importa qual é o mecanismo utilizado. O que eu quero encontrar por aí são pessoas que sabem enxergar a beleza por trás da natureza humana.
Vários pensadores da antiguidade já tinham esse prazer, e tentavam ao máximo compartilhá-lo com o restante do mundo. Infelizmente, vários morreram por essa causa.
Talvez se cada um tentasse ganhar sabedoria e utilizá-la em benefício de sua própria existência, a soma de todas essas atitudes resultaria em um bem-estar geral. Mas acho que estou sendo muito otimista. E é exatamente isso que quero ser.
Daqui a alguns dias, receberei uma notícia importante, que pode ser crucial na mudança que pretendo realizar no meu presente.
É o tal impulso tomando conta de mim novamente. Com a ajuda dele, vou montando minha vida.
Impulsivamente eu decidi compartilhar alguns pensamentos com vocês, afinal, acho que outra característica não me caberia senão essa.
Só uma coisa não deixo de fazer. Mas acho que já deixei claro qual é a minha paixão.
Antes de me despedir, gostaria de lhe agradecer pelo selo Gaby. Ótimo poder contar sempre com a sua presença.
Até a próxima.
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Jimmy Carter.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Uma segunda chance, por favor

Uma sociedade de "ismos". É assim que Carter define o que hoje também pode ser definida como "a era do capital". É bem verdade que o dinheiro sempre falou mais alto quando levamos em consideração o desenvolvimento de um povo, mas, a partir do momento em que este começa a falar mais alto também em relação a atitudes importantes para um bom convívio, começa a ser necessária uma análise mais efetiva sobre seu poder sobre o ser humano. O capitalismo foi o único sobrevivente de sua família. É através dele que podemos considerar um país como sendo desenvolvido. Seus benefícios para a humanidade são claros. A questão é: seriam seus prejuízos tão facilmente enxergados por todos?
Analisando seu dia-a-dia, Carter percebe o quanto foram esquecidos os chamados gestos simples que, apesar do nome, possuem um poder de mudança extraordinário. Hoje, é mais válido levar vantagem (em muitas vezes, financeiramente falando) em tudo do que simplesmente deixar de ter um benefício imediato em prol do bem-estar de um próximo. É a famosa "lei de Gerson". Aplicando-se como uma forma de detrimento da sociedade, essa lei prima por colocar o capitalismo em destaque, transformado-o em um tipo de troféu para aqueles que se julgam superiores e que querem o retorno por suposta "classificação social" muitas vezes em forma de cifrões.
Aos poucos Carter entende de onde surgem as tais teorias conspiratórias. Todas as guerras, todos as revoluções tinham um quê de capitalismo encrostado em seus ideais. Generalização extrema? Carter acredita que trata-se apenas de um fruto gerado pela descrença de que um dia fomos ao menos 10% humanos.
Certo dia, ao assistir a uma reportagem na tv, ele ficou sabendo do caso em que, ao ganhar o prêmio de uma loteria, um rapaz havia achado que sua vida melhoraria por completo. E de fato melhorou. Ao menos se levarmos em consideração os bens materiais que ele adquiriu dali pra frente.
De brinde, apareceram milhares de pessoas que se diziam amigas, que diziam importarem-se com ele. Poucos tempo depois, ele aparece assassinado, em casa. A principal suspeita? A mulher com a qual ele havia acabado de se casar.
Claro, quem está de fora pode ter uma clara idéia de que as pessoas que apareceram em sua vida estavam apenas interessadas no dinheiro que acabara de ganhar, tendo sido ele ingênuo demais. Mas tentem analisar o caso tendo em vista o personagem principal da história. Ele era pobre, nunca teve um círculo social que, de acordo com os padrões cultos criados por uma sociedade materialista, pudesse ser chamado de nobre e nunca teve esperanças de tornar-se integrante de algum em toda a sua vida. Certo dia, ele fica rico e vê uma oportunidade de ter todas as suas ambições ali, na palma da mão. O instinto humano é primitivo em ocasiões como essa. O ser humano, ali, se torna previsível demais. Dificilmente ele pararia para pensar. Fazer isso seria perda de tempo para uma pessoa que sempre teve todo o tempo do mundo para lamentar-se.
Digno de culpa? Pelo contrário. O exemplo dado acima por Carter só mostra que o indivíduo é fruto da sociedade que o acolhe. Da mesma forma com que hoje uma garota diz não se interessar por dinheiro e logo depois deixa um rapaz que a amava para viver uma aventura com alguém que pode lhe oferecer todas as mais maravilhosas e fúteis coisas do mundo. Trata-se de instinto. Trata-se do sentimento de aproveitar a vida até a última gota.
É como um rapaz que sonha em ter um carro, em usar as roupas mais caras. Quem nunca sonhou com alguma dessas coisas? - pergunta Carter.
É uma característica que já está cravada na pela e na alma de todos os seres humanos. É o lema de julgar o livro pela capa, ou julgar alguém pelo que ela tem e não pelo que ela é. São conceitos repetidos em desenhos animados, em filmes "lição de moral", mas que estão ali para apenas mostrar que pelo menos a carapuça todos mostram tentar vestir. Eu disse tentar. Querer já é algo totalmente diferente.
Ajudar uma velhinha a atravessar a rua, oferecer um almoço digno para alguém que não pode tê-lo sempre, dar bom dia, boa tarde, boa noite. Atitudes mínimas. Atitudes valiosas que estão perdendo espaço para uma das atitudes mais previsíveis, desprezíveis e humanas que existem: olhar apenas para o próprio umbigo.
A ambição é necessária para quem quer sobreviver. Mas, como mães vivem dizendo aos seus filhos, até água em exagero faz mal. Carter só espera que, quando cairmos na real, percebamos que, apesar de fazer de tudo para afastá-las, ainda teremos pessoas que nos ajudarão a levantar sem esperar nada, absolutamente nada em troca.
...

Carter a agradece pelo tema sugerido, Gaby.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Personalidade Calculista

Se existem provas que confirmem que toda ação tem uma reação, Anne conheceu uma delas na última semana. Parte de uma família invejável, tinha um único defeito. Para poder dizer qual é, se faz necessária a apresentação de outra pessoa. Seu nome é Sam. Sendo a típica garota popular, Sam era o retrato da namorada ideal. Homens a olhavam, babando e torcendo para que ela desse algum sinal que alegasse algum tipo de atração por algum deles. Prima de Anne, nunca poupou esforços para manter sua família unida. Promovia festas, encontros e até quando não havia nada para se fazer, ela inventava. Tudo com o intuito de ver todas as pessoas que ama, ali, reunidas.
Mas essa qualidade era exatamente o fator fundamental para que o defeito citado acima entrasse em cena. Anne sempre teve vontade de ser como Sam. Seu corpo, suas coisas, seus amigos, enfim, tudo parecia se encaixar perfeitamente em sua ambição. Prova de que já havia passado dos limites há algum tempo se encontrava no desejo que ela sentia em fazer as mesmas coisas que Sam fazia com seu namorado, utilizando tais práticas em prol do seu próprio namoro.

A vida não poupava esforços para que essa inveja crescesse. Todos os rapazes com os quais ela se envolvia, se deixavam atrair por Sam, assim que a viam. Por sua vez, Sam sempre deixou bem claro que o seu caráter era o que ela possuía de mais valioso. Mas Anne não via isso com olhos tão bons assim.

Com o tempo, ela consegue mascarar essa característica, tornando-se, aparentemente, uma pessoa melhor. Mais controlada, Anne consegue reunir uma gama de amigos que realmente a curtem. Ao menos, para ela, já era algo a se comemorar, pois tratavam-se de amizades legítimas, pelo menos por parte de todos os tais amigos.

O tempo passa e Sam se enturma, fazendo com que Anne comece a se incomodar com sua presença. Com seu jeito meigo e, ao mesmo tempo, animado, Sam conquista grande parte dos amigos que faziam parte do círculo social de Anne. Claro que isso aconteceu naturalmente, pois Sam nunca fez com que eles se separassem dela. Pelo contrário, participava de todas as farras promovidas juntamente com sua prima. Todos felizes? Não. Aos poucos, Anne ía nutrindo uma raiva doentia, que a qualquer momento poderia vir à tona. Tal perigo acabou transformando-se em realidade.

Em um surto inexplicável, Anne e seu namorado, cujo caráter era extremamente duvidável, se unem, e tomam atitudes baixas para quem se julga tão moral como ela. Inventa histórias sobre a vida de Sam, dizendo que não era possível esperar juízo de uma pessoa que não se leva a sério, saindo e bebendo com os mais variados tipos de pessoas, ficando com vários ao mesmo tempo e abrindo sua vida como se esta fosse um livro. Quem as ouvia? Sua própria família, que começa a se incomodar com tal situação, indo logo em seguida tirar satisfações com Sam. O baque é forte. Sua própria prima? Ela não acredita, mas decide averiguar. Fica sabendo que até para o rapaz com o qual ela estava envolvida Anne contou histórias. Claro que ele não acreditou, tampouco sua família, mas era difícil entender o motivo daquilo. Pelo menos antes que Sam parasse pra pensar e analisasse todo o passado de sua relação com Anne.

Tais atitudes não cessam. Sam vai perdendo a paciência e decide começar a montar um plano para desmascarar Anne na frente de toda a sua família. Infelizmente, o carinho que sentia por ela havia se esgotado. Agora ela jogaria com apenas uma tática: olho por olho. Mas seria beneficiada por um pequeno e importantíssimo detalhe: seus argumentos eram baseados na verdade.

E quais seriam eles? Resumidamente, baseariam-se no caráter de seu namorado, David. Com atitudes que deixariam James Bond envergonhado, David nunca respeitou o namoro que tinha em mãos. Traía descaradamente Anne. Levava mulheres para sua casa, que ficava logo em frente a dela. Houve uma vez em que, ao se despedir de uma de suas amantes, ele fora surpreendido por Anne, chegando para lhe dar um abraço de bom dia e, por questão de segundos, não encontrando a outra. Sam sabia de tudo. Sabia de tudo mas nunca contou porque sempre acreditou que não se deve meter a colher em relacionamentos alheios. Mesmo que pra ela fosse difícil deixar sua prima fazer papel de trouxa por 5 anos.

O plano estava montado. No dia de seu aniversário, Sam convida Anne e David. Com uma extrema cara-de-pau, os dois aparecem, a abraçam e ficam para aproveitar a festa. Festa que seria marcada por apenas um acontecimento. Perto das 23h, Sam se levanta e chama a atenção de todos. Agradecendo a participação, ela diz que precisa falar algo importante, e que colocaria em jogo a relação de duas pessoas ali presentes. Anne sente que a frase é dirigida a ela. Com uma frieza assustadora, Sam diz:

"Sempre fomos companheiras. Acreditei que duraria pra sempre. Confiança não é algo que consigo encontrar em qualquer esquina. Em você eu encontrava. Anne, pra uma pessoa que se julga tão segura, encontrar motivos para tais atitudes que você tomou é muito difícil pra mim. Eu tentei. Tentei esperar pra ver se você se tocava, se abria os olhos. Mas não deu. Você continuou inventando coisas sobre mim e sobre grande parte dos meus amigos, tentando causar discórdia.
Eu só queria saber porque. Mas cansei de esperar você me dar essa resposta. Trouxe aqui alguns registros que comprovam que a pessoa que menos te respeitava não era eu. Peço que não abra agora. Não na frente de todos. Leve pra casa, tire suas conclusões. Não sou uma pessoa vingativa, mas dessa vez você mereceu. Cuide de você antes de cuidar da vida dos outros."

Sentindo a seriedade com que Sam dizia aquelas palavras, Anne poupa a vergonha que sabia que iria sentir e decide fazer o que ela lhe pediu. O público fica em silêncio por um bom tempo, antes de começarem a mudar o clima sério que a festa havia adquirido. É claro que o conteúdo do envelope vai cair na boca de todos daqui a alguns dias. Sam sabe disso. Mas, por enquanto, ela apenas deixa com que a festa acabe, os convidados se retirem e finalmente ela possa se deitar, tendo a certeza de que mesmo sendo algo reprovável, a vingança é um prato que pode ser comido quente, fazendo com que pessoas como Anne queimem a língua que tanto usaram em prol de um sentimento tão mesquinho como aquele que preencheu o seu coração e a sua mente.
...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Não menos necessária que o amor

Solidão. De acordo com a maioria dos dicionários de língua portuguesa, o significado dessa palavra nada mais é do que "um estado do que está só". Ao definirmos tão friamente algo assim, podemos perder detalhes que deixariam o estudo desse estado um pouco mais interessante que isso. Várias pessoas sentem medo ao se depararem com a solidão cada vez mais presente em suas vidas, principalmente nas daquelas com uma idade um pouco mais avançada. Mas até que ponto podemos dizer que estamos realmente sozinhos? Não seria importante analisarmos a solidão através de um ponto de vista mais intrínseco?
O fato é que Carter sempre a teve como uma característica necessária para a construção do ser que hoje ele é. Quem o acompanha há algum tempo, sabe que ele sempre esteve de mãos dadas com a solidão, que acabou tornando-se uma ferramenta fundamental para a criação de seus textos, para a análise de cada momento de sua vida.
Muitos ainda duvidam que ele gosta de ser assim, sozinho. Talvez não seja questão de gostar ou não, mas sim, uma ironia do destino que o mostra que seu lugar não é só aquele que hoje o hospeda, mas sim, todos os cantos do mundo. Daí a idéia de estar sozinho, tendo a "vantagem" de não sentir que tem algo que o segure, que o prenda. Mas tentar achar o real motivo para isso é querer entender algo que não nasceu para ser entendido.
Na verdade, podemos dizer que Carter tem uma outra visão quanto à solidão. Caso seja tratada como parte de uma personalidade, ela só tende a trazer benefícios a todos que dela souberem usufruir. Nossos pensamentos, nossas idéias, nossos sentimentos só podem ser traduzidos por nós mesmos. E para tanto, é necessário que tenhamos um tempo disponível para a única pessoa que podemos, ou ao menos, devemos confiar inteiramente. Tranque-se no quarto, coloque uma música que te faça relaxar e analise cada minuto referente aos seus últimos dias. Carter dá a todos essa dica. Caso realizem esporadicamente tal atividade, poderiam administrar melhor suas atitudes, suas emoções e, consequentemente, suas vidas. Esse é um exemplo de solidão momentânea que só traz benefícios.
O ser humano tem a capacidade de gerar interesse em todos aqueles que o rodeiam. Carter acredita que, já que isso é verdade, ninguém, de fato, está sozinho por completo. Para todos aqueles que não têm tanta sorte no amor, as amizades podem preencher um vazio já anunciado. Para todos aqueles que nunca foram tão populares, mais cedo ou mais tarde alguém especial aparecerá, dando algum sentido à tão angustiante espera. O elo que liga esses dois casos é exatamente a maneira como cada um trata os momentos de solidão que insistem em preencher os seus dias. Tudo poderia ser muito mais fácil caso todos tirassem um tempo para analisar cada atitude tomada ou que irá ser. Enfim, se cada um desse a mão à solidão, sabendo utilizá-la da maneira correta, talvez a espera por um grande amor ou por um círculo maior de amizade pudesse ter sido menor.
Enquanto escreve essas linhas, Carter está de mãos dadas com sua solidão. E acreditem, isso não significa que ele está triste ou algo parecido. Muito pelo contrário. Seus últimos dias foram de descobertas intensas, e que hoje possuem um imenso valor exatamente por terem sido analisadas em mais um de seus momentos de avaliação intrínseca.
Cada pessoa possui um tipo de solidão. Cada pessoa deve descobrir um jeito de tirar o maior proveito de cada uma. A solidão, ao contrário do que muitos pensam, é algo que deve ser levado a sério, mas sem aquele tom depressivo que muitos insistem em agregar à ela.
Ele também acredita que, talvez, seja em um momento de solidão que você encontrará todas as respostas (ou boa parte delas) para perguntas que antes te atormentavam por escancararem para todos e, principalmente, para você mesmo, os maiores buracos de sua vida, e que só poderiam ser preenchidos caso um dia você acordasse em uma bela manhã de sol e tivesse uma única certeza em mente: a de que você se conhece por completo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Decepções


Já disse alguma vez que seria capaz de colocar a mão no fogo por alguém? Já teve a sensação de que durante muito tempo confiou em pessoas que jurava de pés juntos serem dignas de tal atitude? Ele o fez. Hoje, se arrepende amargamente. Não que seja algo bom de se fazer. Arrependimento é algo fraco, pois tudo nos ensina algo, nos traz experiência. Mas é que nesse caso, ele não consegue enxergar os motivos que levaram aqueles que se diziam seus amigos a fazer o que fizeram. Depositar confiança em alguém é convidar essa pessoa a fazer parte de um time, de uma irmandade.
Ele gostava muito daquela garota. Por algum tempo, ficaram juntos e impressionaram muitas pessoas com o rápido e fácil apego que adquiriram em pouco mais de duas semanas de namoro.
Seus amigos pareciam respeitá-lo, mas isso era só superficialmente. Ele sentia que algo ali não estava certo. Não perdiam uma oportunidade de mostrar para ele que não o respeitavam.
Encomodando-se com tal atitude, ele até pensa em deixar tudo bem claro, mas exita. Talvez em nome da amizade que pensava ter construído com aqueles caras.
O tempo passa e a relação com aquela garota que havia mexido tanto com a sua vida fica um pouco desgastada. Trata-se de uma fase comum em qualquer relação. Eles decidem deixar rolar.
Tentam novamente se conhecer e até seguem bem em busca desse novo objetivo.
Mas a falta de respeito por parte de seus amigos continua. Fotos são tiradas como se tivessem como missão principal provocá-lo. Seus amigos fazem questão de mostrar que tinham ela ali, do lado deles, juntamente com bebidas e mais bebidas. Ele confiava nela, e ela não dava motivos para que ele desconfiasse.
Certo dia, os dois se encontram, depois de algum tempo tentando a reconciliação, em uma festa promovida por um conhecido. Conversam a noite inteira e ela demonstra que ainda gosta dele. Porém, a todo momento, um de seus amigos tem atitudes que o fazem pensar que a falta de respeito não havia acabado. A bebida toma conta da noite. Ele, que já havia deixado tal "prazer" de lado, apenas observa tudo que estava acontecendo. Como sempre foi bom com percepções, nota que um dos tais amigos realmente havia se esquecido das coisas que foram feitas por ele em prol de seu último namoro, de suas amizades. Sempre do lado dos tais "brothers", procurava sempre a harmonia necessária para que momentos únicos fossem produzidos. Mas dessa vez ele via que tal esforço não havia valido de nada.
A noite passa e ele vai embora, deixando-a ali, com pessoas que mais tarde já não possuiríam sua confiança.
Motivo?
Um dia depois, ela liga para ele, pedindo-o que vá encontrá-la, pois ela tem algo sério a dizer.
Possuindo uma certa noção do que seria, ele vai.
Chegando no local marcado, ela pede para que ele sente bem à sua frente. Olhando em seus olhos, ela diz que havia feito uma besteira na noite passada. Ele pede para que ela seja mais clara.
Ela diz, com soluços que caracterizavam o nervosismo que tomava conta de seu corpo, que havia ficado com um de seus amigos. Ele havia acertado. Embora, de acordo com ela, a bebida tenha ajudado, ele sabe que ela o fez por que quiz. Mas o que o machuca não é nem a participação dela nisso tudo, e sim a concretização do que ele mais temia: não havia respeito naquela amizade. Nunca o respeitaram. E agora isso havia sido comprovado.
Ele decide se afastar. Ela vê que perdeu aleguém que, por ela, sentia um carinho imensurável.
Hoje, ele coloca a mão no fogo por apenas duas pessoas, torcendo para que não apareçam motivos que o façam acreditar que vale mais a pena manter sua mão intacta a ter que encarar verdades que antes pareciam ser apenas remotas possibilidades.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Tragando um último suspiro

Todd não vê motivos para continuar sendo o que era. Seu passado, pode-se dizer, dependia de seu sorriso. Todos que o conheciam deixavam-se contagiar por sua animação, por sua maneira peculiar de encarar a vida. Para ele, levá-la a sério era burrice. Nenhum momento era sério o bastante para fazê-lo olhar-se em frente ao espelho com um olhar tão perdido quanto o que ele tem agora. Em um sábado nublado, acorda olhando para o céu, tentando entender o porquê de se familiarizar tanto com a cor triste, pesada que o mesmo decidiu apresentar naquela manhã. Sozinho, ele imagina algo para dizer, mesmo que ninguém ouça, mesmo que nem ele mesmo ouça. Quem o vê agora não entende como uma metamorfose como essa aconteceu.
Em passos lentos, ele se dirige ao banheiro, onde se curva, enche as mãos com um pouco de água, jogando-a sobre seus olhos e, consequentemente, deixando-a escorrer sobre seu rosto, numa tentativa de limpar as possíveis impurezas que o manchavam. Logo depois, se enxuga, indo em direção à cozinha. Alguns envelopes ainda lacrados o aguardam em cima da mesa escolhida como sede de seus diários momentos de relaxamento, caracterizados por permitirem a ele escrever tudo que aprendia durante seus dias.
Ao sentar-se, recebe algumas ligações que, mesmo parecendo demonstrar interesse em seu estado, são encaradas como meros detalhes por ele, fazendo-o apenas responder direta e até friamente a todas elas. Ao colocar o telefone no gancho, ele rabisca algumas linhas em uma folha que havia sobrado do desabafo anterior.
Nesse momento, ele começa a se lembrar do dia em que conheceu dois de seus melhores amigos. Fred e Mark eram aqueles considerados como sendo "pra toda hora". Inseparáveis, aproveitaram a vida de todos os jeitos que poderiam, segundo Todd. Tinham um lema de experimentar tudo que a vida poderia oferecer. Uma adolescência movimentadíssima. Podemos assim definir a fase em que eles estiveram mais unidos. Festas, bares, drogas e a incapacidade de impor limites a tudo. Esse é o resumo dessa aliança. Durante várias noites - algumas até consecutivas - eles voltavam para casa enquanto seus pais saíam para trabalhar, logo de manhã. Tal atitude deixava aqueles que mais se importavam com eles muito tristes, porém, como os mesmos diziam, era apenas uma fase. Logo eles amadureceriam.
Anos vão dando passagem a mais aventuras, a mais loucuras. O limite antes não imposto por ingenuidade, agora não deixa nem rastro de sua existência. Todos com barba, à procura de novos empregos (pois haviam parecido não merecer os anteriores) e à procura de mais uma forma de manterem uma viagem que parecia eterna, rumo à destruição de seus cérebros, de sua alma. Fred agora se encontra com sérios danos provocados pelas fortes drogas que usava há algum tempo. Sua capacidade de raciocínio lógico foi afetada. Ele já não parecia estar nesse mundo. Literalmente. Mark já fazia parte do mundo que consumia e vendia tais produtos, chegando a um ponto de não conseguir mais sair. Todd tentava ser a parte racional do tripé, porém também se afundava em suas recaídas, resultantes da dependência que obtivera pelo uso excessivo de entorpecentes durante a adolescência. Mesmo assim, foi o único que conseguiu encontrar um refúgio que parecia mais tentador que aquelas viagens. Escrevendo, ele decide deixar o registro de tudo que presenciou por conta das drogas, por tudo que elas proporcionaram a ele e a seus amigos. Seu ideal era tão forte que, mesmo sob o efeito de uma de suas maiores inimigas, ele conseguia descrever o quão prazerosa e aterrorizante era sua capacidade.
Dias, meses, anos se passam. A família de Todd diz, em duras palavras, que desiste dele. Seus amigos se perdem pelo caminho, deixando-o apenas o sentimento de nostalgia. Sozinho, ele não se abala, e continua registrando todos os momentos que marcaram seus dias. Um dia poderiam ler aquilo e perceber que uma viagem assim custa muito mais caro quanto o preço pago por sua passagem.
Ainda com um olhar perdido, ele decide desviar sua atenção, do passado para o presente, e olha firmemente para o papel que tem em mãos. Mas antes de iniciar o registro daquele dia, ele pega os envelopes citados anteriormente, decidido a conferir seu conteúdo. Sua expectativa demonstra a ansiedade que possuía quanto a esse momento.
Com uma cautela eufórica, ele retira duas folhas dos tais envelopes. Cada uma possuía a foto de um dos seus antigos "companheiros de viagem".
Depois de conferir cada folha por completo, ele começar a escrever, dizendo:

"Mark e Fred. Duas pessoas que nunca mais vou esquecer. Duas vítimas de uma vida que, diferentemente, gostaria de poder esquecer, porém, se o fizesse, estaria provando que sou egoísta em não deixar nenhum registro que ilumine a cabeça daqueles que se aventuram por um caminho tão tortuoso. Hoje consigo dizer que estou me reabilitando, mas a investigação que fiz sobre o paradeiro de meus amigos me mostra que eles não tiveram a mesma capacidade. Mark confirmou o que já era de se esperar. A vida que escolhera fez o mesmo por ele, escolhendo-o para ser a próxima vítima de sua implacável e insaciável sede de sangue e destruição. Fred se encontra morto. A única diferença entre os dois, é que Fred ainda respira, mas com a ajuda de aparelhos. As pesadas drogas que usava destruíram todas as características que o transformavam em um humano. Numa cama de hospital ele se encontra preso. Finalmente ele encontrou aquilo que o limita. Só queria que tal limite fosse outro e que tivesse sido encontrado no início, por todos nós..."

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Valiosa Raridade

" Ela é uma pessoa que faz algo que ninguém nunca fez por mim. Me torna único. Me deixa com um sentimento de culpa quando percebo que não a amo...ainda. Ela me abraça de um jeito que não consigo descrever. Me faz querer que exista apenas aquele momento, ali, com ela perto de mim, me dizendo coisas que dificilmente esqueço. A realidade me mostra cada vez mais que vale a pena quando evidencia aquilo que realmente faz a diferença. Quando estou aqui, sozinho, escrevendo, ela me liga apenas para dizer que me adora. Ela, mesmo quando está sob o efeito de algumas bebidas, consegue passar confiança quando diz que ao meu lado ela se sente diferente, se sente melhor. Não sei se conseguirei amá-la do jeito que ela merece, mas o fato é que estou confuso.
Nunca consegui manter um relacionamento por muito tempo. Sempre percebia, pouco depois de começar a tentar, que não poderia fingir algo, me passando por alguém que tem algum carinho especial, que merece estar ali, interpretando aquele personagem.
Ela já me faz não ter essa certeza. Com ela vale a pena tentar construir algo. Pra um cara que sempre disse que não conseguiria sentir algo de concreto por alguém, estou queimando minha língua. A cada ligação que ela me faz, me sinto como sendo um cara abençoado.
Ela diz que só espera sinceridade. Eu sou apenas sincero com ela. É difícil demonstrar algo. Eu sempre fui muito fechado pra essas coisas. Pra ela, isso não importa. Não tenho nada de concreto na minha vida, mas corro atrás. Pra ela, isso só já importa. Ela diz que aprendeu comigo a dar valor às coisas mais simples da vida. Ela sabe fazer isso desde o começo, o que me faz duvidar de que, algum dia, ela foi diferente do que é comigo.
Falando assim, pareço estar apaixonado, eu sei. Mas não estou. Sou seco mesmo e preciso de uma ajuda imensa para que mude.
Ela chegou tomando a responsabilidade pra si, e sendo essa ajuda. Não sei se isso vai durar muito tempo, mas já confirmei aquela afirmação que diz: Tudo que é bom é intenso e eterno enquanto dura. Para aqueles que como eu, acreditam que não é fácil e às vezes até impossível conseguir construir algo assim, eu apenas digo que não adianta procurar. Apenas acontece. Está acontecendo comigo. Alguém me viu e se interessou em colocar um sorriso no meu rosto. Acho que finalmente alguém entendeu e encontrou o caminho que leva ao que eu sou. E essa pessoa está me mostrando que achou bom o que descobriu durante tal caminhada.
Como ela vive me dizendo: Há algo que não consigo explicar que só acontece quando estou com você. E é bom. Sendo assim, não preciso saber o que é. Só preciso sentir. "


Um depoimento valioso para aqueles que passaram ou sonham em passar por algo parecido. Até os que não amam têm a chance de vislumbrar e até sentir o gosto do prazer que tal sentimento pode trazer.

Parabéns pela capacidade de demonstrar, através da escrita, o que sente - diz Carter ao autor de tão bela descrição.

domingo, 23 de novembro de 2008

Fantasia ou Realidade

Algum modo para explicar o poder dos sentimentos. Dessa vez, a procura se resume a isso.
Encontrar em uma pessoa todos os motivos para lutar por sua companhia e, em outra, todas as certezas sobre como o destino está ligado à nossa vida pode confundir aqueles que não procurarem analisar mais a fundo quais são os sinais enviados pelos seus corpos para que a melhor decisão seja tomada. Unir coração e razão em um momento desses é preciso.
Ele possui em sua vida duas pessoas que o fazem passar horas e horas imaginando o que é o certo, o que é o melhor a se fazer. Uma delas, aqui representada pela letra T, possui milhares de mistérios que o fascinam. Há alguns anos em sua vida, ela o mostra a cada dia que possui características idênticas às dele, fazendo-o acreditar na lenda criada acerca da tal alma gêmea que todos supostamente possuem. Cabelos negros, olhos verdes, pele clara e um jeito todo especial de mostrar a que veio. Consegue viajar com ele quando o mesmo decola em pensamentos transcritos pelas mensagens que a envia desde o começo da amizade, embarcando em sua rotineira e entusiasmante viagem de fantasias. Gostos parecidos, interesses e objetivos que se encontram em perfeira harmonia. Dizer que T é a mulher ideal para ele pode ser óbvio.
Mas é aí que se encontra a magia disso. Ele a viu, pela primeira vez, ontem, em uma reunião de amigos. Vários anos de amizade materializada em mensagens transcritas e apenas um encontro real. Ele a conhece como poucos. Ela o mostra que também faz o mesmo. Tem nela a imagem de tudo que montou em sua mente, com o auxílio de fotos e palavras. T o mostra que tudo que havia sido mostrado é real.
Por outro lado, existe alguém que, em alguns dias, conseguiu conquistar o seu carinho de uma forma impressionante. Com um carisma fascinante, um rosto encantandor e uma naturalidade em suas atitudes que muito considerariam difíceis de se ter, J o fez, pela primeira vez em sua vida, sentir o que é receber carinho de uma pessoa que o deseja e que sabe demonstrar isso.
J tem toda a espontaneidade e toda a alegria que o fascinam desde cedo, quando observa as diversas personalidades encontradas em todas as suas idas e vindas pelo mundo afora.
Ele a beijou pela primeira vez dias antes do encontro com T. Em um momento de pura descontração, ele roubou um beijo quando ela ameaçava abraçá-lo. J não pensou duas vezes, e, com um olhar fixo, exigiu que ele desse continuidade a tudo aquilo.
Voltou pra casa dando suspiros, e meio sem entender o que aquela garota havia feito com ele.
O destino trata de colocar as duas mulheres que conseguiram fazer o que nenhuma outra jamais fez frente a frente. Na tal reunião citada no trecho anterior, T e J mostram que são, sem exagero algum, quase uma pessoa só. Primas das mais íntimas, as duas demonstram a ele que confiança uma na outra é algo que possuem de sobra. Ele se lembra que descobriu o tal parentesco há pouco tempo, e isso o deixou ainda mais impressionado com a capacidade do destino em nos pregar peças.
Ele observa T de uma maneira única. Tratava-se da primeira vez que a via, depois de tê-la conhecido tão bem com o uso das palavras. Ela retribui os olhares, demonstrando-se espantada com algo. Algo bom, vale lembrar, mas ele não sabe o quê, apenas que se trata de algo que a deixa com um sorriso maravilhoso durante todo o tempo.
J demonstra que deseja que tudo que ocorreu dias antes continue, pois, em um determinado momento, ela diz:


"Eu amo ficar do seu lado, te ouvir, te abraçar. Me sinto uma pessoa de sorte por tê-lo como refúgio, mesmo conhecendo-o há tão pouco tempo"


Ele não resiste e a beija, tratando-a, como sempre, como a única pessoa que o interessa naquele momento, pois como ele gosta de dizer, o carinho que sente é constituído de partes. No momento em que se encontra na companhia de alguém, ele trata tal pessoa como se a amasse realmente, fazendo-a notar isso, mas deixando claro que se trata de sua personalidade, e não de seus reais sentimentos. J sabe disso, mas aceita se arriscar e lutar pelo seu carinho.
Mas há, no mesmo local, duas pessoas, duas personalidades, duas mulheres. T é uma descoberta. É algo que o fascina, que admira. Tão igual a ele, tão ideal, tão recente (ao menos se dermos ênfase ao momento em que se encontram realmente). Um enigma que faz parte de toda a sua personalidade, pois trata-se de um rapaz considerado enigma por muitos.
A partir de agora, ele precisa decidir se quer conservar algo real, conquistado com a ajuda de sua impulsividade e que possui um valor extremo, ou acreditar que algo criado por suas emoções, por sua mente, por seus desejos, pode se tornar real. J ou T ? Adentrar à realidade ou transformar a fantasia em algo que se encaixe como tal?
A reação das duas quanto a esse encontro poderá ser fundamental para uma decisão, e ele aguarda ambas com toda a certeza de que mesmo não sabendo se é o certo a se fazer, deixará com que seus sentimentos falem por ele, fazendo-o obter algo que nunca possuiu durante toda a sua vida: o carinho de alguém que o oferece um sentimento real, onde ele, apesar da dificuldade que possui, também consiga demonstrar o que sente.


Narração feita por Carter a respeito de um dos momentos de maior importância que presenciou nas últimas semanas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Um só coração...

Trabalho em equipe. Carter sempre ouviu falar e sempre admirou esse termo. Dizem que o efeito causado por essa prática se resume em benefícios soberbos quando se está atrás de algum objetivo, quando vencer uma batalha é um ideal que se estende por toda uma vida. É fato que o ser humano precisa aprender a se relacionar com seu grupo. O trabalho em equipe vai além disso. É preciso, além de se relacionar bem, possuir as mesmas aspirações, enxergar os mesmos caminhos, possuir os mesmos sonhos e agir sincronizadamente, ou seja, todos em um só ritmo, em um só movimento. Na teoria parece simples.
Carter tem um exemplo que exemplifica bem essa idéia. Há alguns dias, ele executou um trabalho que havia planejado durante alguns meses, juntamente com toda a sua turma de faculdade. Tratava-se de um evento beneficente, onde o principal objetivo era proporcionar a dois casais a oportunidade de viver um momento único em suas vidas (ao menos, Carter torce para que seja o único): o casamento. Mas não é uma tarefa fácil organizar um casamento soberbo sem nenhum dinheiro no bolso. O sonho de unir aquelas pessoas começou a ser montado bem antes do dia "D". Carter se lembra dos primeiros passos que deram em busca desse objetivo. Nada andava. Nada se concretizava. O desesperou chegou a tomar conta da mente de alguns. Não era pra tanto. Ou será que era?
Faltando apenas um mês, a turma resolveu praticar uma das artes pregadas pelo profissionalismo contemporâneo: o trabalho em equipe, citado no começo do texto.
Todas as vitórias eram comunicadas aos que estavam dando o sangue pelo projeto. À medida em patrocínios eram obtidos, festas eram feitas quando tal notícia era compartilhada. A emoção resultante dessa vibração se tornava combustível para outros, que lutavam, colocavam a cara à tapa e, com todo o mérito possível, conseguiam mais e mais vitórias.
O prazo para a realização desse sonho se estreitava a cada segundo. Mas tudo que sua equipe havia conseguido até ali mostrava que aquele trabalho possuía uma tendência ao sucesso. Empresas de nome estavam envolvidas e anciosas pelo resultado. A animação por estarem experimentando aquele clima de negócios fazia com que todos de sua equipe buscassem sempre algo mais. Esse algo mais pode ser resumido nas duas suítes que conseguiram para a lua-de-mel dos noivos, agrado que não estava nos planos iniciais do projeto. Fantástico.
Ver pessoas que Carter mal sabia que possuíam tanto potencial trabalhando, se esforçando em prol de apenas um objetivo fez com que ele analisasse ainda mais o ambiente que frequenta a quase dois anos. Através de suas palavras, ele diz: "Se um dia eu for dono de uma empresa, com certeza já tenho toda a equipe que eu preciso aqui". Para um cara tão detalhista como ele, isso é um bom sinal.
O trabalho aumenta quando chegam os dias que apenas fazem margem ao acontecimento mais importante do ano para aquela turma. Mesmo que não seja algo que os dê dinheiro, o árduo trabalho, as noites mau dormidas, o frio na barriga, as brigas, as vitórias, tudo isso fazia com que eles soubessem que estavam envolvidos na história os sonhos de 4 pessoas. Pessoas que rezavam todos os dias por toda aquela equipe, torcendo para que eles obtivessem êxito, pois um momento como aquele, como já dito anteriormente, seria único.
Como não poderia deixar de ser, a equipe de Carter consegue concluir todo o trabalho designado à mesma. Sua turma sente a vibração positiva que teima em abençoar aquela iniciativa.
O dia chega. Logo cedo, Carter parte para o local escolhido com toda a animação, com todos os materiais necessários (e acreditem, eram muitos), e com toda a certeza de que dali sairía algo inesquecível. Sua turma comparece em massa, e todos, na mais perfeita demonstração de trabalho em equipe, suam a camisa em busca do melhor ambiente possível para todos os convidados e, principalmente, para os noivos. A tarde foi marcada pela correria em busca dos últimos pedidos feitos por alguns que acabavam comprovando a teoria de que o homem não pode confiar apenas em sua memória. Haja gasolina.
Carter respira fundo para, logo depois, soltar um suspiro de alívio. O cenário estava montado. Sem ter tempo para repetir tal atitude, ele corre para se arrumar, afinal, é preciso vestir a imagem que um dia sonha em possuir todos os dias. Camisa azul, um nó simples (ainda está aprendendo o tal "Conde Windsor") e seu querido, mas já manjado, paletó azul-marinho com uma calça, claro, da mesma cor. Essa é a "armadura" que Carter usou para a batalha.
O fantástico coral que desviava a atenção do público enquanto o mesmo aguardava pelos noivos fez com que Carter sentisse arrepios, reação causada na maioria dos ali presentes. Trompetes anunciam o início de tudo. A tradicional melodia assiste à entrada de todo o cortejo para, logo depois, abraçar os protagonistas da noite.
Os casais entram com os olhos emaranhados de emoção. Uma das noivas chegou a exitar, ao subir as escadas, mas o amor que sentia fez com que ela seguisse em passos firmes rumo ao altar. Fotos tiradas daqui, dali, imagens gravadas com toda a precisão. Com certeza, o registro desse momento terá qualidade. Qualidade essa que é fruto das escolhas feitas por toda a equipe de Carter, pois trabalhar com pessoas sérias é essencial para aqueles que querem arrancar elogios após todo o esforço feito.
Os beijos selam o que Carter denominou como sendo "algo mais forte que a vida". A imagem que os dois casais buscavam para representar todo o amor que sentiam foi oferecida a eles, primeiramente, por algo maior que todos nós, e que alguns dizem ser Deus. Se assim for, Deus estava do lado deles e, através da turma de Carter, concedeu um dos melhores dias de suas vidas.
Pagamento? Digamos que o sorriso estampado no rosto de cada um dos que ali se encontravam pagou toda a conta.
Trabalho em equipe. Algo que não pode ser ensinado. Algo que não possui teoria como base. É preciso vivê-lo, praticá-lo. Lendo essas palavras, porém, Carter imagina que é possível sim trazer a importância disso para a vida de seus leitores.
Mas lembrar de tudo que passou naquele dia faz nosso protagonista se sentir exausto e, como todo bom trabalho de equipe que se preze, o momento de comemoração e de descanso também requer a presença de todos os seus amigos, afinal, amizade nada mais é do que um esforço conjunto em busca do bem-estar comum.


Carter deseja a todos um ótimo restinho de semana.

sábado, 11 de outubro de 2008

Uma Análise Minuciosa

Ao longo dos quase trinta dias que passou longe do seu refúgio, Carter conquistou várias coisas importantes para o atual momento de sua vida. A faculdade agora o conhece de verdade. Conseguiu, através de um projeto idealizado por ele mesmo, chamar a atenção de todos que fazem parte de seu curso e, consequentemente, chamar a atenção de pessoas rotuladas como importantes pela instituição. Seu objetivo é unir todo o grupo de alunos que integram o curso que faz, pois trata-se de uma novidade no mercado e, sendo assim, necessita de densidade, para que todos vejam a tal iniciativa como sendo firme e promissora. Seu projeto visa exatamente isso: dar importância ao curso.
Ontem ele ministrou a primeira palestra de sua vida. O tema era exatamente esse projeto. Sala lotada, participantes prestando muita atenção e agora, aos poucos, ele está colhendo os frutos.
Outro projeto importante que está em andamento e que conta com sua colaboração, é um casamento comunitário que está sendo organizado por sua turma. A idéia é fazer com que dois casais carentes, que não possuem a mínima condição de organizar um evento desse tipo, sejam abençoados pelos laços do matrimônio, com tudo que têm direito. Mas eles possuem o principal para sonhar com algo assim: amor.
Sendo assim, toda a turma de Carter está dando o sangue em busca de parceiros e interessados em apoiar de alguma forma essa idéia.
Ontem, pode-se dizer que nosso protagonista teve um dos melhores dias de sua vida. Ao encontrar pela primeira vez as noivas escolhidas para estrelarem o projeto, ele as apresentou à empresa que ficará responsável por montar o álbum de fotos do casamento. Os olhos delas brilhavam enquanto cada página dos ábuns de demonstração era vista como se fossem elas, ali, maquiadas, vestidas com uma roupa que marca um dos momentos mais especiais da vida de uma mulher. Mas não, eram apenas fotos de outras pessoas, mas que pareciam convidá-las a embarcar naquele sonho, naquele momento. É gratificante. Carter sentiu isso. Ver que seu trabalho está dando certo é bom. Mas ver que alguém está sorrindo, mesmo diante de tantas dificuldades que a vida impõe, é melhor ainda. E estão sorrindo por sua causa. Carter tem culpa nessa história.
Os próximos dias serão cruciais para o sucesso dessa idéia. A cada momento, Carter sente que algo de especial vai acontecer no mês de novembro. Isso é bom.
Vickie saiu de sua vida, seus amigos estão tomando diferentes rumos. A vida realmente preparou algumas surpresas para Carter, mas ele não se queixa, pois Vickie e ele apenas perceberam que não tinham nada a ver um com o outro. Seus amigos estão, ao se distanciar, montando suas vidas, assim como Carter.
O mundo está à espera dele. Ele está à espera do mundo. Como sempre diz: "O mundo é tão grande para nos contentarmos em conhecer apenas um país". Esse é o lema de sua vida.
A base está sendo construída agora, e compartilhar esse processo com todos que lêem seu espaço é uma honra. Carter tem toda essa certeza.
Ao som de Macy's Day Parade, do Green Day, ele se despede, tendo a certeza de que, apesar dos dias de ausência, seus textos estão imortalizados, pois possuem palavras que relaxam, que animam, que surpreendem, que marcam seu ser. Motivo? Elas são palavras sinceras.
Como tudo seria se todos soubessem do poder das tais palavras? - Carter se pergunta.
A resposta vem quase que imediatamente:
Elas seriam comuns...

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Máscaras de Gelo

Carter já não encontra a mesma facilidade para postar seus textos. Em meio à loucura vivida por sua personificação perante à vida, ele tenta ao máximo não deixar seu espaço de descanso morrer. Enquanto dita essas palavras, Carter se lembra dos últimos dias em que esteve sem compartilhar suas experiências, sem soltar um suspiro de alívio por saber que alguém pode, mesmo que ainda raramente, concordar com seu ponto de vista, ou até mesmo discordar, pois as tais críticas são necessárias por dar uma noção contrária àquela que ele está acostumado a possuir, auxiliando no crescimento do seu ser. 
Há 2 dias atrás, Carter teve uma conversa que não o deixou muito feliz. Abençoado por possuir um certo, e pequeno, grupo de amigos em que ele sabe que pode confiar, Carter há algum tempo se sente incomodado com uma certa atitude de um dos membros da família. Aqui, conhecido como Tommy. 
Tommy é uma pessoa espetacular em toda a sua gama de características. Companheiro, extrovertido, impolgante. Um amigo e tanto. As reuniões com toda a família se mostram prazerosíssimas quando ele está presente.
A vida dada a ele não é das piores. Seu pai, um sujeito sistemático e muito fechado se mostra um ótimo exemplo. Conseguiu todas as coisas que tem hoje com muito suor e dedicação. O que se mostra verdade na mais recente conquista de seu filho: um carro comprado com o seu próprio dinheiro. Tommy lutou muito por isso, e com certeza isso se deve à criação dada pelo pai. 
Sua namorada, Marie, é uma pessoa excepcional. Com um coração grandioso, ela faz questão de estar perto de todas as pessoas que o fazem feliz. Os dois namoram há um bom tempo. Mais precisamente há 3 anos. Carter fica estasiado quando encontra detalhes da importância de Tommy na vida dessa garota. Ao entrar na cozinha da casa de seu amigo, ele percebe um recado grudado na porta da geladeira. Nele, encontramos escrito: 

"Amor, que todos os dias você leia esse meu recado e acorde com um sorriso no rosto. E que esse mesmo dia seja repletos de motivos que o façam sorrir, como o que vou citar abaixo:

Eu te amo. Marie."

Carter simplesmente fica fascinado ao ver isso. Uma relação duradoura é composta por detalhes. São eles que fazem a diferença. Tommy não vive sem sua garota. Marie não vive sem seu companheiro. É fato.

Mas aí entra a outra face da verdade. 

Resumida na palavra "infidelidade", essa parte do namoro é composta por um jogo de mentiras que testam a capacidade de Carter ao máximo. Tommy, há algum tempo, não precisa buscar em outros corpos o desejo, o carinho, que todo ser humano busca quase que insaciavelmente. Ele, há 3 anos, os possui todos os dias. Marie  oferece a ele esse paraíso.
Mas ele o faz. Carter presenciou isso milhares de vezes. Fotos, vídeos, depoimentos. Os meios de se descobrir isso são variadíssimos. 
A punhalada é tão intensa, que em uma frase, Tommy mostrou para Carter que não dá o devido valor à sua garota, dizendo:

"Se ela quisesse me trair com a mesma intensidade, teria que fazer isso demais, pois eu mesmo já perdi as contas de quantas peguei até hoje, durante nosso namoro".

É época? Pode ser. Mas é de cedo que mostramos nosso caráter. Carter já disse várias vezes a Tommy que fica meio incomodado com tantas traições, até mesmo por conhecer Marie bem, e saber que ela não merece isso. Mas o amor é estranho. Se Tommy se separa de Marie, os dois são capazes de se matar. Quando estão juntos, é o namoro mais concreto que já se viu. Quando ele está longe dela, é o namoro mais frágil que já existiu.
Difícil entender. Muitos morrem sozinhos, sem ter conhecido e presenciado aquela tal lenda urbana de que "cada um possui sua alma gêmea", e existem pessoas que aparentam uma relação repleta de confiança, mas que, se conhecermos a mesma a fundo, perceberemos podres que mal podem ser comentados. 
A história é tão pejorativa que Tommy, visando se safar de uma tropeçada que deu ao não planejar bem o momento da traição, já foi capaz de destruir a imagem de uma outra pessoa que havia se metido em seu namoro. Carter confessa que essa tal pessoa não havia sido muito feliz em sua atitude, mas não existem motivos para Tommy ter feito o que fez. Hoje, a família de sua namorada é dividida entre os que apóiam o namoro e os que desconfiam do mesmo.
Mas culpar Tommy é afirmar que possuímos teto de vidro. A traição não se dá apenas através do ato carnal. A traição não acontece apenas em um namoro. A traição acontece em vários momentos de nossa vida. Momentos em que nos pegamos omitindo alguma informação sobre onde se encontra um amigo, quando sua namorada nos liga preocupada com o seu amor. A traição acontece quando, em uma noite de bebedeira, de farra, chegamos em casa irritados, fazendo com que as pessoas que se importam conosco se preocupem e venham nos perguntar se estamos bem, e nós, com uma estupidez embriagada, respondemos "Me deixa em paz", batendo a porta do quarto logo em seguida. A traição acontece quando fingimos ser quem não somos. A traição faz parte do ser humano. 
Carter está traindo a amizade de Tommy ao expor sua opinião aqui. Mas entre o amor e a desconfiança, Carter não possui dúvidas ao fazer sua escolha. 
O fato é que, quando encontramos aquela pessoa que nos faz querer sonhar, acordar e voltar a dormir todos os dias com um sorriso nos lábios, o amor deve ser preservado. E Tommy não o faz.
Suas atitudes estão sendo discutidas por várias bocas, questionadas por várias personalidades e, logo logo, se confrontarão com a principal delas: a personalidade que ele conhece há 3 anos e que o ama como ninguém nesse mundo o faz.
Carter espera que, na pior das hipóteses, Tommy reflita com tudo isso e aprenda que o amor não é um sentimento que funciona apenas quando está em contato direto com a tal pessoa que faz seu coração duvidar da não-existência do paraíso.



E ele deseja uma ótima semana a todos.